terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O PROBLEMA SINÓTICO

O adjetivo "Sinótico", com o qual são designados os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, vem da palavra grega συνόπτικος que significa "aquele que ver em conjunto" e foi usada pela primeira vez pelo alemão J.J. Griesbach no final do século XVIII.  Desde então o estudo das questões pertinentes à visão sinótica dos evangelistas tem despertado interesses mais variados em diferentes correntes teológicas, produzindo resultados igualmente diferentes.
Quando se pensa no Problema Sinótico duas questões chamam logo a atenção: 1. Qual texto foi escrito primeiro e quem usou quem na sua confecção final?  2. Por que eles são tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes?
Entre as teorias dos usos das fontes e o uso comuns dos próprios Evangelhos, uma das mais aceita é a de que Marcos foi o primeiro a ser escrito e depois os outros dois sinóticos se valeram dele e de outras fontes próprias para a escrita dos seus próprios Evangelhos.  Marcos assim, interpretando a tradição de Pedro, redigiu seu evangelho em primeiro lugar e o compartilhou com a igreja, chegando ao conhecimento dos evangelistas que o usaram como referência.
Segundo especialistas, os argumentos para esta primazia de Marcos são basicamente três:
1. A brevidade de Marcos, ou seja, sendo ele menor e mais resumido, melhor se explicaria o surgimento dos evangelhos com maior conteúdo, e não o contrário; 
2. O estilo canhestro de Marcos, e isto tanto no uso menos elegante do grego, quanto na maior predominância de expressões semíticas, mais uma vez é mais fácil explicar o surgimento posterior – com melhoria e depuração de estilo pelos outros sinóticos que o contrário;
3. A teologia mais primitiva de Marcos, com expressões mais complicadas de se harmonizarem teologicamente com as crenças da igreja.
Mas Mateus e Lucas não fizeram só uso de Marcos.  Há material em ambos que não estão em Marcos, o que nos leva a entender que provavelmente eles tiveram acesso ao uma outra fonte comum; que costumeiramente é chamada de fonte Q – de Quelle em alemão.  Quem primeiro propôs a existência desta fonte foi F. Schleiermacher no século XIX se referindo ao que Papias chamou de logias: compilação das palavras de Jesus. 
Acrescente ainda a este fato a real possibilidade de os evangelistas também terem tido acesso a material exclusivo na composição de seus textos, o que nos daria um esquema, mais ou menos, assim para o processo de surgimento dos Evangelhos Sinóticos:


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