terça-feira, 12 de dezembro de 2017

SITUANDO O APOCALIPSE – O final do 1º século cristão

O livro de Apocalipse que lemos na Bíblia é um livro sui generis no conjunto dos nossos livros sagrados.  Sabemos que o autor estava exilado na Ilha de Patmos (cf. Ap 1:9), uma pequena elevação grega no Mar Egeu para onde, na época, os romanos degredavam seus criminosos e opositores.
Mas não foi somente isso que influenciou na produção da obra.  Então, para ajudar a entender melhor o contexto onde o livro surgiu, veja a seguir em linhas rápidas algumas observações sobre o mundo de então:
* A Grande Pirâmide de Gizé já tinha 2.500 anos.  Em Roma, o Coliseu ainda não tinha sido construído.  Os geógrafos da época sabiam que a Índia era no Extremo Oriente, a Etiópia era no extremo sul, a Ibéria para o oeste, e "Scythia" e "Celtica" para o norte.  A Grã-Bretanha já era conhecida, e os estudiosos mediterrânicos tinham uma ideia de que a Escandinávia existia, mas não a sua extensão (este eu copiei de www.fatosdesconhecidos.com.br).
* Desde o século anterior, florescia no Oriente o que ficou conhecido como "estilo apocalíptico" de escrever.  Ele consistia basicamente no uso excessivo – quase abusivo – de mensagens cifradas e figuras (algumas certamente beirando ao surrealismo!), também o recurso de códigos principalmente numéricos para descrever realidades não quantificadas.  Além de narrar o futuro mesclando um ponto de partida histórico com um visionário.
* No final do primeiro século da era cristã, a igreja já havia se expandido a todo o Império Romano e já alcançava diversas regiões além das fronteiras romanas.  Comunidades cristãs organizadas se reuniam em boa parte do mundo conhecido de então.  Com a expansão cristã em um período tão curto e abrangendo áreas tão diversas seria natural que pensamentos e doutrinas estanhas à verdade original da fé começassem a se infiltrar na igreja.
* Observe ainda, na mesma linha, que a expansão do cristianismo colocou a nova igreja em contato com grupos religiosos diversos, gerando uma espécie de concorrência pela primazia da verdade e da fé do povo.  Esta situação, em diversos casos, provocou um endurecimento da postura polêmica da fé cristã em detrimento de sua mensagem de amor e esperança.
* Também com a chegada do final do século, os primeiros discípulos de Jesus já começavam a morrer, silenciando o testemunho primário daqueles que conviveram com o Jesus histórico e que poderiam com autoridade relatar as verdades pregadas pelo Mestre.
* Outro fato marcante para o cristianismo no final do século foi o receio do Império Romano de que este novo grupo – o Caminho como era chamado – desestabilizasse e subvertesse o império, o que provocou o estímulo à perseguição política romana, além da judaica de cunho puramente religioso.
Foi para este contexto que o livro de Apocalipse foi escrito originalmente.  Quando a fé cristã se viu ameaçada em diversas frentes, a Revelação foi dada a João para que este instruísse a igreja e seus líderes – aos anjos das igrejas – sobre como Deus estava no controle da história e que por fim a igreja triunfante transporia todos os obstáculos e mostraria a sua verdadeira face vitoriosa ao lado do Cordeiro – aquele que é o único digno de toda a nossa adoração.

(Na imagem lá em cima, uma foto moderna do Mosteiro de São João, o Teólogo na Ilha de Patmos, construída sobre o local onde se crê que tenha ocorrida a visão de Apocalipse.  O crédito da imagem é do sítio wikipedia.com)

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS E A EXPANSÃO DA IGREJA

A expansão oficial da igreja registrada no livro de Atos dos Apóstolos segue a Comissão de 1:8.  Os discípulos estavam reunidos na cidade de Jerusalém aguardando o revestimento do poder do alto conforme instruído pelo próprio Cristo (Lc 24:49) – o que aconteceu no dia de Pentecoste.  Ali começou o ministério da igreja. 
§ Em Jerusalém – Depois da primeira pregação de Pedro alguns discípulos ficaram ainda na cidade de Jerusalém "perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo.  E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos" (At 2:47). 
Esta é a primeira comunidade cristã.  Podemos chamá-la de Primeira Igreja Cristã no Mundo.
§ Na Judéia – A escolha dos sete no capítulo seis apresenta a solução para o problema causado pelos novos cristãos judeus de fala grega que se queixavam de que as suas viúvas estavam esquecidas na distribuição diária de alimentos.  Este primeiro movimento expansionista da igreja foi discreto mas mostrou que o evangelho já havia ultrapassado os limites de Jerusalém e estava alcançando outros judeus além desta fronteira. 
Neste momento a cidade de Antioquia veio se a tornar o grande centro cristão que serviria de base para as futuras expansões missionárias da igreja. 
§ Em Samaria – O capítulo oito começa com a perseguição e dispersão da igreja; e com a perseguição a igreja rompeu novas fronteiras.  "E indo Filipe à cidade de Samaria, pregava-lhes a Cristo" (At 8:5).  Com o trabalho de Filipe, a igreja foi estabelecida em Samaria seguindo o projeto do Mestre. 
Os apóstolos em Jerusalém tendo ouvido falar da conversão dos samaritanos enviaram Pedro e João que "impuseram as mãos, e eles receberam o Espírito Santo" (At 8:17).
§ Até os confins da terra – O movimento seguinte da igreja começou com a conversão de Saulo (capítulo 9) e iria marcar definitivamente os destinos dos seguidores de Cristo.  A igreja rompeu com as barreiras étnicas e culturais do judaísmo tornando-se uma fé universal – assim como era o projeto original de Deus para seus servos – uma igreja que se projetasse para conquistar o mundo para Cristo. 
Em At 13:2 o Espírito Santo diz: "Separa-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra que eu os tenho chamado".  Este chamado despertou o ânimo missionário na igreja e a impulsionou a chegar nos confins da terra.
Deve ser dito ainda aqui que o Livro de Atos dos Apóstolos é um livro inconcluso.  O último versículo mostra Paulo "pregando o reino de Deus e ensinando as coisas concernentes ao Senhor Jesus Cristo, com toda a liberdade, sem impedimento algum" (At 28:31).  A história não termina assim, ainda falta algo a ser escrito.  É a história da igreja que recebeu uma Grande Comissão de seu Mestre e não terminou ainda de cumpri-la. 
O Livro de Atos, por ser um livro narrativo da ação da igreja, continua aberto pois a igreja de Cristo continua atuante buscando chegar definitivamente com a sua mensagem nos confins da terra, aguardando para ver Jesus descer dos céus assim como para o céu foi visto ir (At 1:11).

(Lá em cima na imagem: um mapa com as viagens do apóstolo Paulo e as principais rotas do Império Romano.  O mapa eu encontrei no sítio fonhbowntos.gr

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

OLHEM O CAJUEIRO

O cajueiro que temos em nosso terreno está todo florido!  Está lindo de ver!  Tudo leva a crer que este ano teremos uma boa colheita de cajus e que o Senhor nos brindará com muitos frutos para desfrutarmos de suas bênçãos nos deliciando com o próprio fruto, sucos, sorvetes, mouses, geléias, castanhas e mais o que a criatividade aprontar.  E pelo jeito vai dar para todos comerem e ainda vai sobrar – Deus sempre faz assim!
A visão do cajueiro me trouxe a pensar nas palavras de Jesus quando alertou para observar a figueira (penso que se fosse por aqui ele tinha apontado o nosso cajueiro).  Citado pelos evangelhos sinóticos (Mt 24:32; Mc 13:28 e Lc 21:29), o Mestre instruiu a entender que como a árvore no seu tempo próprio, a nossa existência aqui também demonstra quando o tempo está para chegar.
É claro que não vou cair na esparrela de tentar marcar data para os acontecimentos vindouros, mas olhando o cajueiro preciso cuidar de ficar atento.  E isso implica em duas posturas iniciais: a) não estar ansioso pois é certo que minhas preocupações nem só não vão mudar em nada a realidade das coisas como por vezes até impedirão minha postura de fé (veja o que Paulo disse em Fl 4:6) e b) não permanecer relaxado, ocioso ou desligado já que tais atitudes me afastam dos compromissos e atitudes cristãs (ainda Paulo em 1Co 16:13).
Voltando ao pé de caju.  A verdade é que o cajueiro não traz ou provoca a chegada do verão, mas também é certa a verdade que ele se prepara para que quando chegar o momento certo possa apresentar o melhor dos seus frutos para quem dele cuidou.  Da mesma forma, eu não provoco com minhas atitudes nem a volta de Cristo nem qualquer outro acontecimento do porvir mas devo me preparar adequadamente para quando eles chegarem.  Como fazer isso?  O próprio texto evangélico nos aponta:
No verso de Lc 21:34 leio que não devo sobrecarregar meu coração com as coisas desta vida.  Se minha prioridade é o reino que está preparado desde a fundação do mundo (palavras de Mt 25:34), então é fundamental não me distrair com outras coisas (sobre isso confira Ef 5:11 e 2Tm 2:4).
Também no verso de Lc 21:35 sou instruído a manter uma disposição de vigilância e oração.  É isto que se espera de todo cristão verdadeiro que vive na dependência exclusiva de seu Senhor e sabe que não resta mais muito tempo (veja a parábola das virgens que segue em Mt 25), ou seja, o crente que espera é o crente que vigia e ora sempre (note a ordem direta em 1Ts 5:17).
O cajueiro está florido e ele está me dizendo que o tempo está próximo.  Que eu possa viver de maneira apropriada aguardando o grande dia do Senhor.

(Esta reflexão eu publiquei originalmente na página da IB Sol Nascente em 25/10/2010.  Na época, estava pastoreando aquela congregação e no nosso terreno, entre outras árvores, havia um grande e frondoso cajueiro, que na ocasião estava todo florido – o que serviu de inspiração para o texto.  Aqui eu o reproduzo com as mesmas palavras de então.  E quanto à imagem: ela foi tirada na época e retrata o próprio cajueiro)