terça-feira, 21 de novembro de 2017

AS CARTAS DE PAULO

Por muito tempo se habituou a chamar os escritos apostólicos do NT pelo termo clássico: Epístola.  Mas aqui vamos chamá-las apenas de Cartas.  Os dois termos são praticamente sinônimos, contudo este segundo parece expressar um português mais coloquial e assim uma linguagem mais próxima do nosso cotidiano, o que com certeza deveria ser o objetivo dos autores bíblicos: trazer a fé para a simplicidade do dia-a-dia.
Vejamos então as Cartas do Apóstolo Paulo que encontramos em nossa Bíblia uma a uma:
+ Romanos – A maior entre as cartas de Paulo, a Carta aos Romanos pode estar incluída entre as mais belas páginas da literatura mundial pela sua riqueza estilística e clareza de argumentação.  A igreja cristã na cidade de Roma, capital do Império, não foi fundada pelo apóstolo, mas recebeu toda atenção da parte de Paulo.  O tema central desta carta é a relação entre Lei e Graça e a justificação pela fé. 
Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.
(Rm 5:1)
+ 1ª e 2ª Coríntios – Paulo, provavelmente, escreveu mais cartas aos coríntios, mas somente duas foram conservadas em nossas Bíblias.  O apóstolo esteve na cidade de Corinto em sua segunda viagem, quando fundou a igreja local e entre as igrejas do período do NT talvez esta tenha sido a igreja mais problemática.  Aos Coríntios, Paulo escreveu enfatizando a pureza da vida cristã e a necessidade de boa conduta. 
Fugi da impureza. (1Co 6:18)
+ Gálatas – A Galácia era uma região da Ásia Menor visitada por Paulo na sua terceira viagem missionária.  A carta deveria ser algo como uma cartacircular a ser lida por todas as igrejas da região.  Gálatas pode ser considerada uma espécie de resumo da Carta aos Romanos por seu conteúdo e ênfase. 
Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor. (Gl 5:6)
+ Efésios – A igreja na cidade de Éfeso foi fundada por Paulo em sua segunda viagem e por ela o apóstolo nutria um carinho todo especial.  Os assuntos que dominam esta carta são a salvação pela fé em oposição às obras e a conduta cristã na família e na sociedade. 
Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios.
(Ef 5:15). 
+ Filipenses – Paulo esteve em Filipos na segunda viagem onde ficou preso.  Quando escreveu a carta, também deveria estar preso, o que não impediu de que a Carta aos Filipenses fosse aquela em que o apóstolo mais enfatiza a alegria de ser cristão. 
Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos. (Fp 4:4).
+ Colossenses – A cidade de Colossos deve ter sido visitada por Paulo na sua terceira viagem missionária.  Esta carta, que deveria ser também compartilhada com os cristãos laodicenses, demonstra um certo distanciamento entre o apóstolo e os primeiros leitores mas, mesmo assim, expressa a preocupação do autor com a fé e o crescimento cristão da igreja. 
Pois quero que saibais quão grande luta tenho por vós, e pelos que estão em Laodiceia, e por quantos não viram a minha pessoa. (Cl 2:1)
+ 1ª e 2ª Tessalonicenses – Estas devem ter sido as primeiras cartas escritas por Paulo conservadas no NT.  Paulo esteve em Tessalônica na sua segunda viagem e escreveu as cartas com a clara intenção de fortalecer a fé dos cristãos e animá-los quanto à esperança da volta de Cristo. 
E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
(1Ts 5:23).
+ 1ª e 2ª Timóteo – As cartas a Timóteo são obra do final do primeiro século quando já a igreja se mostrava com uma relativa organização interna.  Timóteo era um jovem cristão que acompanhou Paulo em sua segunda viagem e se tornou líder da igreja.  As cartas foram escritas como manuais de orientação para líderes. 
Ninguém despreze a tua mocidade, mas sê um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza. (1Tm 4:12).
+ Tito – O personagem Tito não é citado no livro de Atos dos Apóstolos mas Paulo faz referência a ele aos coríntios como sendo alguém de sua relação pessoal.  O objetivo da carta é aconselhar a diversas classes de cristãos a cerca do bom comportamento. 
Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina. (Tt 2:1).
+ Filemom – A pequena Carta a Filemom – na verdade um bilhete – é um encaminhamento do escravo fugido Onésimo que, tendo sido alcançado pelo Evangelho pregado por Paulo, agora retornava ao seu senhor Filemom; devendo ser então recebido com amor cristão. 
Assim pois, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo. (Fm 17)

Em geral:
Nas cartas de Paulo nós encontramos dispostas todas as principais doutrinas da fé cristã, assim como vários conselhos úteis à vida do fiel cristão neste mundo.  Estas cartas são ricos documentos que nos inspiram e ensinam o que devemos crer e como devemos nos comportar.


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

SOMOS O BARRO

Ouvi, não faz muito tempo, uma valiosa mensagem proferida pelo amigo e colega pastor Pedro Alexandre (da IB de Estância – aqui em Sergipe).  A reflexão tomou como base o texto da profecia de Isaías que diz: 
Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai,
nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro;
e todos nós, obra das tuas mãos. 
(Is 64:8)
Logo depois da celebração do culto, fui falar com o colega e solicitei autorização para compartilhar pelo menos o esboço e algumas ideias principais aqui neste espaço.
Assim, com a devida aquiescência, comecemos de novo com os pontos principais e alguma pitada pessoal.

SOMOS O BARRO


O ensinamento bíblico diz que nós fomos feitos pelo próprio Deus a partir do pó da terra – do barro.  E é observando o barro que aprenderemos quem somos e quem realmente poderemos ser.
Estas são algumas características do barro.
1.       Nulidade – o barro em si não vale nada.  Não gera riqueza.  Tem muito dele por aí e ninguém luta por ele.  As nações lutam por recursos: ouro, petróleo; mas não por barro.  Ele é comum e frágil.
2.      Fragilidade – diferente de metais ou outros materiais, o barro é sempre frágil.  Em estado natural pode ser diluído facilmente com apenas um pouco de água.  Deformado e reformado.  E se vai ao forno, de lá sai quebradiço.
3.      Involuntariedade – ele pode tomar diversas formas.  Pode ser constantemente deformado e reformado – desfeito e refeito.  E qualquer punhado de barro pode servir para se fazer qualquer coisa. 
E aqui começa a diferença.  O segredo e potencial nunca está no barro – ele continua sendo sem valor, frágil e sem vontade própria.
— Barro não faz birra!
Então, exatamente por isso, o barro se converte na matéria prima perfeita nas mãos do artista.
Quando uma simples matéria prima, um barro qualquer, passa pelas mãos do artista o que era mediocridade vira arte.  O que era nulidade ganha valor – vale uma fortuna.  O que era fragilidade enriquece em densidade – alcança significado.  O que era involuntariedade se objetiva, toma forma – encontra razão de ser.
E antes que haja dúvida: Deus é um eximindo artista, criativo e fecundo!
Assim, quero terminar como o profeta, com um reconhecimento e uma oração:
Meu Deus e meu Pai.  Com alegria me entrego completamente a ti.  Tu és o gracioso oleiro e eu um simples barro.  Em tuas mãos a arte santa e eterna se fazem mim.  E que seja para tua glória.  Amém.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

O Seminário "liberal" onde estudei

"Há sempre algum proveito quando o mestre não é de inteira confiança: o aprendiz precisa convencer-se a si mesmo sobre as verdades"
(Soren Kierkgaard, em "As obras do amor")

Estudei em um seminário taxado pejorativamente de "liberal".  Digo pejorativamente porque há um misto de desonestidade e pequenez intelectual em quem a ele aplica este termo. 
DESONESTIDADE, porque a intenção de quem usa o termo não visa construir pontes em busca do fortalecimento da unidade na diversidade.  Antes, quem assim o taxa geralmente é um construtor de muros, amante da discriminação alheia, em busca de proteção do próprio status quo, de sua zona de conforto, do incômodo de quem o contesta, da hegemonia do seu poder.
PEQUENEZ INTELECTUAL porque o termo liberal pode significar tanta coisa que, por paradoxal que possa parecer, até de conservador pode ser sinônimo.  Por exemplo: o capitalista conservador é liberal, pois defende a manutenção do liberalismo nas relações de mercado.  Para ele, conservar as relações de produção e consumo distantes do controle do Estado seria o melhor caminho à vida em sociedade. 
Outro exemplo: os batistas nasceram sob a bandeira da defesa da liberdade.  Liberdade de crença, de pensamento, de opinião, de interpretação das Escrituras, de reunir-se, de organizar-se, de autogerir-se como igreja local, de cooperar com outras igrejas e não controlá-las, defendendo tudo isso bem distante das "garras" do Estado que controlava a Igreja Anglicana e as manifestações religiosas na Inglaterra do século XVII. 
Logo, ser um batista conservador deveria ser apegar-se e lutar para conservar essas raízes "liberais".  Isso, entretanto, contraria o agir daqueles que se autodenominam "conservadores", cuja práxis – teoria e prática – insiste em pretender uniformizar e controlar o pensamento coletivo, movido por uma visão político-empresarial diametralmente oposta aos exemplos de Jesus e que, sob pretexto de unificar forças visando fortalecimento denominacional e crescimento numérico, estão agindo como o Estado inglês agia com os insurgentes da igreja quando do nascimento do movimento batista.
O seminário "liberal" onde estudei era – e era aqui não significa juízo de valor sobre o que hoje é, mas minha percepção histórica dos tempos em que lá estudei – um espaço PLURAL.  Embora autônomos e com senso crítico regido por razão, não por rancor, não percebia postura desafiante da parte dos professores com os quais estudei em relação à denominação mantenedora.  Era visível o predominante conservadorismo em torno do respeito à liberdade de pensamento no corpo docente.
Essa pluralidade – que alguns equivocada, maldosa e pejorativamente classificam como "liberalismo" – foi decisiva no preparo de muitos líderes com postura de "servos não subservientes" que têm se destacado em todos os espaços decisórios dentro e fora da denominação batista.
No seminário "liberal" onde estudei, éramos estimulados a ler diretamente o que pensavam os que pensavam a teologia, a missão, a eclesiologia, enfim, em vez de ficarmos restritos ao pensamento dos professores sobre o que pensavam os que pensavam esses assuntos.  Os professores expunham seus pensamentos, tinham opinião própria, mas o espírito não era substituir a cabeça do aluno por suas cabeças, pois isso não seria educação desejável, mas lavagem cerebral. 
Ninguém é exclusivamente liberal ou conservador.  A pessoa consciente de si, do grupo com o qual caminha e dos grupos alternativos ao seu redor, reconhece que esses conceitos precisam ser continuamente entendidos, redefinidos, e se misturam em nós – trocadilho -, em maior ou menor grau, dependendo do assunto e do contexto.  Apequena-se, portanto, quem usa a palavra "liberal" politico-teologicamente de forma pejorativa, visando desvalorizar, marginalizar ou destruir o outro, seja por ignorância ou má-fé.
Tornei-me um pastor e líder conservador quanto aos princípios da tradição batista mais antiga por ter estudado em um seminário cujos professores foram competentes, honestos e tiveram autonomia para nos ensinar a estudar, em vez de programar nossas jovens mentes para tornar-nos meras mãos e mentes de obra manipuláveis por pessoas inescrupulosas que se aproveitam daqueles que cultivam boa-fé 
Qualificar o seminário onde estudei de "liberal" é um elogio, se entendido o significado amplo dessa palavra e seu vínculo com as mais remotas histórias dos batistas.  Por outro lado, chamá-lo de "conservador", em termos populares, como usado por alguns político-ideólogos de religião, pode ser agressivo às histórias dos batistas, pois esses ideólogos, em vez de conservarem o espírito de liberdade, criam camisas-de-força, identificando-se com, repito, o Estado inglês do século XVII do qual nos libertamos, quando levantamos a bandeira da liberdade para nós e para todos.
Em resumo: no Seminário "liberal" onde estudei, fomos estimulados a considerar seriamente a veracidade das palavras de Jesus: "Eis que vos envio como ovelhas em meio a lobos, portanto, sejam simples como as pombas, mas prudentes como as serpentes".  Ainda bem que estudei nesse Seminário "liberal" e aprendi bem essa lição!

Este texto foi escrito pelo colega e amigo Edvar Gimenes (ele publicou no dia 31/10/2017 no sítio blogdoedvar.blogspot.com.br) e, por ter estudado no mesmo Seminário e ter recebido as mesmas boas influências, tomo a liberdade de republicar aqui – assim com os devidos créditos.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A FORTALEZA DE LUTERO

Neste ano de 2017 celebramos os 500 anos da Reforma Protestante.  A data em si se refere ao episódio que foi tomado como marco significativo para o estopim do movimento: o momento em que o alemão Lutero fixou suas 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg em 31 de outubro de 1517 nas quais questionava várias posições da Igreja de seu tempo.
Detalhe 1: o que ficou conhecido como as 95 TESES na verdade foram 95 PROPOSIÇÕES ou FRASES que Lutero escreveu para iniciar o debate.
Detalhe 2: fixar teses a serem defendidas em um debate público na porta do principal templo, na época seria o mesmo que postar 'textão' em uma rede social hoje e se preparar para o debate pesado e acalorado quando viralizar – foi isso que Lutero fez!
Mas, voltemos ao assunto.  Neste ano de celebração – afinal 500 anos é marca mais que significativa – muito se tem falado, escrito, proposto, debatido, refletido sobre o tema.  O que realmente faz jus ao contexto e propósitos originais.  Eu mesmo, não somente já publiquei aqui uma cronologia da época aproveitando o ensejo (veja aqui), como também tive a oportunidade de participar de alguns eventos nesta intenção aqui em Aracaju.
Além do que, a própria internet aproveitou bastante a ocasião para citar e comentar (e como sempre: está inundada de gente a favor e contra).  Então vou me poupar o trabalho de citações históricas e análises mais aprofundadas.
Quero trazer a lume (gostei desta frase!) apenas algumas observações que me sobressaíram à cabeça nestes dias de reflexão sobre o assunto: a música da Reforma.
Não é segredo para ninguém que gosto de música, e relacioná-la à fé e à vida me atrela de um jeito visceral a Lutero e à herança protestante.  Entre os trabalhos e contribuições do reformador alemão estava em fazer o povo cantar a sua fé. 
Lutero sabia que a música ajuda a memorizar e acatar a doutrina, enleva a alma e produz um gracioso senso de comunidade e pertencimento – além de louvar a Deus: claro!  Ele mesmo compôs, arranjou e publicou várias canções e hinos sacros tornando o culto luterano mais alegre e participativo e deixando uma herança tão formidável que dela vem ninguém menos que J.S. Bach – mas isso já merecia uma outra crônica.
Por outro lado: como batista, sou um herdeiro indireto dos reformadores do século XVI.  Mas me sinto bem à vontade, em casa, entre eles.  Chamá-los de irmãos é reconhecer nossa raiz comum: a própria fé cristã e os ventos de renascimento social e eclesiásticos que sopraram naquela velha Europa.
Assim, eu canto os mesmos hinos dos irmãos luteranos, presbiterianos, metodistas, episcopais, e por aí vai...  alguns hinos de cinco séculos, outros recebidos da renovação wesleyana do século XIX, e outros, igualmente inspirados e abençoados dos cristãos do século XXI.  Todos fazendo jorrar o caudaloso rio da música protestante.
Nós cantamos.  Lutero nos ensinou.  E eu gosto muito de cultuar assim.
Mais uma vez, voltemos ao assunto, antes que me delongue muito – se bem que agora nem me desviei muito.
Falar da música de Lutero é lembrar de Castelo Forte – em alemão: Ein feste Burg ist unser Gott.  Linda.  Forte.  Cativante.  Inspiradora.
Para se ter uma ideia de como esta música está entranhada em nossa tradição, veja onde eu posso encontrá-la em português: No Cantor Cristão (é o hino de número 323), no HCC (# 406) – ambos batistas; no Hinário Luterano (# 165); no Hinos do Povo de Deus (# 97 – também luterano); e mais: Salmos e Hinos (#640); Hinário Adventista (# 33); Harpa Cristã (# 581); Hinário Presbiteriano Novo Cântico (# 155).  E se procurar mais, sei que vai achar.
Quanto ao hino?
Lutero, em meio as muitas batalhas travadas enquanto prosseguia tentado reformar a igreja, ele sempre teve como alento o Salmo 46 que diz: O Senhor é nosso refúgio e fortaleza.  Foi daí que ele tirou a inspiração para cantar (aqui na versão em português do HCC):
Castelo forte é nosso Deus, escudo e boa espada.
Com seu poder defende os seus, a sua igreja amada
com força e com furor nos prova o Tentador,
com artimanhas tais e astúcias infernais
que iguais não há na terra.
(...)
Sim, que a Palavra ficará sabemos com certeza,
pois ela nos ajudará com armas de defesa.
Se temos de perder família, bens, poder,
e, embora a vida vá, por nós Jesus está
e dar-nos-á seu Reino.
Deus é o nosso castelo forte, a nossa fortaleza sólida.  É esta convicção que mobilizou e animou Lutero, e ainda nos inspira hoje.  Um Deus forte que nos forma – reforma, sustenta e protege.  É o socorro bem presente na hora da angústia.  E nos somamos a Lutero neste canto de afirmação de fé e adoração.
=> E quanto as imagens:
Lá em cima, Retrato de Martinho Lutero pintado por Lucas Cranac em cerca de 1540. 
Aqui em baixo uma reprodução de Castelo Forte com a assinatura de Lutero

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Geração resgatada por Deus, restaurada por Jesus

Faço parte de uma geração que viu a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética; que ouviu falar pela primeira vez no vírus da AIDS; que migrou das fitas cassetes e discos de vinil para os CDs e DVDs; que começou a usar computadores em casa; que lutou pelas DIRETAS JÁ e viu o fim do governo militar; que comprou com Cruzeiro, Cruzado e Real.
Faço parte de uma geração que viveu a década de ouro dos Vencedores por Cristo; que ficou chocada com a morte trágica do cantor Jairinho, do Grupo Ele, e viu nascer o Grupo Logos; que começou a ouvir os cantores Armando Filho e Jailton Santos; que adotou os cânticos  das Comunidades Evangélicas nos momentos de louvor.
Faço parte de uma geração que viu o antigo templo da PIBA ir ao chão e viu erguer-se o novo, inclusive ajudou a limpar para a inauguração; que entrava no micro-ônibus para fazer evangelismo nos bairros de Aracaju e no interior, contribuindo para a formação de congregações e igrejas; que começou a frequentar o Manaim quando só existia uma casa velha; que timidamente começou a usar guitarra e bateria nos cultos, mas que também levantava a voz com um entusiasmo contagiante para louvar com cânticos e hinos (até do Cantor Cristão, acredita!?).  participei do Conjunto Embaixadores de Cristo e ouvi o Grupo Alfa.
Mas não sou saudosista.  Não quero dizer que "no meu tempo é que era bom".  Foi bom mesmo, mas "esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo" (Fl 3:14-15).
Faço parte da Geração Retrô (palavra que significa algo que remete ao passado, mas volta a estar na moda).  Faço parte da geração que volta a entrar no ônibus, ou em seus próprios carros, para percorrer Sergipe de alto a baixo cantando a levando a Palavra; da geração que faz acampamento no Manaim e também no Coco Beach; que se encontra para orar juntos ou só mesmo para rir.
Que privilégio!  Faço parte de uma geração que foi resgatada por Deus e restaurada por Jesus;  toda a glória a Deus!

Emilia Cervino Nogueira – Retrô
(do Boletim da PIBA em 05/11/2017)

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

LOUVORES DO APOCALIPSE

Apocalipse – o último livro da Bíblia cristã – foi escrito como uma ode de alegria e esperança.  Com base nessa compreensão, tenho lido e interpretado o texto.  Não tenho dúvidas que em Apocalipse há mais expressões de louvor e adoração Àquele que é Digno que em qualquer outro texto no Novo Testamento.
Isso eu tenho repetido sempre que falo, estudo ou escrevo sobre este livro.  Mas aqui não quero apresentar um tratado exegético sobre o Livro da Revelação, suas visões, vaticínios e profecias. Estou trabalhando nisso, mas não aqui.
Então, pensando em Apocalipse como um compêndio de adoração e louvor, resolvi fazer uma lista de hinos e canções baseados no livro bíblico.  Não será uma lista extensa, apenas algumas me vieram à mente em meia horinha de exercício de memória.  Sei que há inúmeras outras composições baseadas em Apocalipse.
Veja a relação, como sugestão de louvores do Apocalipse:
A primeira canção que me vem naturalmente é o Canto do Apocalipse.  Em português gravada pelo grupo Diante do Trono em 2010.  O original em inglês – Revelation Song – foi composto por Jennie Lee Riddle no ano anterior.  Gosto em particular desta música.  Melodia e harmonia se casam bem e posso crer que consiga reproduzir um pouco do que foi a canção triunfante que João testemunhou.
Penso que o trabalho de Sérgio Lopes gravado em 2004 intitulado Carta às 7 Igrejas apresentou um grau maior de dificuldade para ser confeccionado.  Mas ficou muito bom o resultado.  O que seria naturalmente esperado, considerando o compositor.
Tem mais.  No Hinário para o Culto Cristão (HCC) temos o de número 43, uma composição de P.M. Mills em 1963 e baseada em Ap 4:11 – Tu és Digno.  Melodia que nos conduz à reflexão e à adoração.
Ainda no HCC (número 80 – este eu já conhecia antes de ir para o hinário) – da obra de Guilherme Kerr de 1985: Bendito Seja sempre o Cordeiro (a gravação original foi intitulada: De Todas as Tribos).  Uma excelente adaptação do Ap 7:9-10.
Também me ocorre lembrar da música Primeiro Amor, de Aurélio Rocha gravada pelo Rebanhão em 1988 que dizia "eu quero voltar ao primeiro amor" e que claramente tem por base Ap 2:4.  Este se tornou um hino – um clássico.
Outros louvores que nós, da igreja brasileira, aprendemos e cantamos com alma:
-) Alfa e Ômega do compositor Livingston Farias, baseado em Ap 1:8 / 21:6 / 22:13.  Já cantei tanto em versões congregacionais quanto corais.
-) Glória pra Sempre.  A autoria é de A.T. Queiroga e foi gravado por Vencedores por Cristo em 1975.  A base é o capitulo cinco de Apocalipse.  Indispensável em qualquer relação de louvores para a igreja.
-) Santo é o Senhor.  Refrão que conheci gravado na voz de Asaph Borba em 1984 e que repete as palavras de Ap 4:8.  Fácil de decorar e de cantar.
-) Ao que Está Sentado.  Também de Vencedores por Cristo gravado em 1980.  O texto base é Ap 5:13.  Nunca nos cansamos de entoá-lo novamente.
-) Rei das Nações.  Ainda Vencedores por Cristo, desta vez em 1988 com as palavras de Ap 15:3.  Desde o começo do louvor que diz: "Grandes são as tuas obras" até o refrão, sempre eleva a igreja em adoração.
-) Aleluia, Salvação e Glória.  Este é do grupo MILAD, trabalho de 1986.  Cantamos Ap 19:1.  A sequência melódica é gostosa e a letra bíblica, um canto completo.
E antes que fique cansativa a lista – observe que todas aqui listadas são do fim do século XX e início do XXI – vou terminar com a obra atemporal do grande G.F. Handel.  No magnífico oratório "O Messias", a sua mais significativa música: ALELUIA toma as palavras de Ap 11:15 – estes são os louvores do Apocalipse:
O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre. (NVI).
Aleluia!