sexta-feira, 16 de junho de 2017

HÁ PERDÃO NA CRUZ

Na excelente linha de argumentação teológica e doutrinária do autor aos Hebreus, ele afirma com clareza que sem derramamento de sangue não há perdão (Hb 9:22).  Por este raciocínio, entendemos que para a eliminação do pecado e suas consequências há a exigência espiritual de que o sangue seja vertido.
Para entender tais implicações, é necessário contudo, em primeiro lugar expor um conceito de pecado.  Em linhas gerais, pecado é mais que uma atitude socialmente reprovável ou mais que um desvio de conduta.  Pecado é uma ofensa a Deus como um ser pessoal que nos ama e, por isso, exige reparação.
Esta compreensão nos leva então a uma outra que associa os termos: pecado => reparação => sangue => cruz => perdão.  Assim, tudo aponta para a cruz de Cristo pois é de lá que emana todo o amor e todo o poder que produz o perdão divino ao ser humano decaído.
Mas como podemos entender o perdão de Deus em nós?  Uma visão mais ampla da verdade bíblica nos indica algumas respostas.
Em primeiro lugar, o perdão de Deus em nós é de graça.  Embora tenha custado o caríssimo preço de seu Filho Unigênito (lembre-se de Jo 3:16), para nós que o recebemos não nos custou nada!  Em Paulo é muito forte a convicção de que foi pela graça de Cristo Jesus transbordando para nós que alcançamos a dádiva do perdão (leia Rm 5:15 e compare com At 15:11).  Se vivenciamos hoje o perdão dos nossos pecados é que fomos atingidos pela maravilhosa graça.
O perdão de Deus em nós também é uma experiência completa.  Por definição, o pecado produz na fragmentação humana.  Ao nos outorgar seu perdão, o Senhor nos atinge por completo (este pode ser o sentido de 1Jo 1:9).  Mas nenhum texto é tão incisivo quanto a profecia de Miquéias: Deus declara que dos pecados perdoados já não restará lembrança alguma pois todos foram atirados nas profundezas do mar (veja como é lindo todo o texto de Mq 7:14-20!).
E mais ainda, o perdão de Deus em nós é extensivo.  Ao gozarmos de tal perdão somos levados mais além ao ato de também perdoar.  Assim foi indicado na Oração modelo, assim também na parábola do servo impiedoso (os textos são Mt 6:14-15 e Mt 18:21-35) e Paulo fala no constrangimento do amor de Cristo em 2Co 5:14.  O perdão divino gera em nós um espírito perdoador o qual nos liga novamente ao Senhor amoroso, nos refaz por dentro e cria novos laços com nossos irmãos (respectivamente: Ef 2:18; 2Co 5:17 e Ef 4:32).
É por isso que louvamos o Senhor por tal perdão.  É por isso que vivenciamos todo os dias o ser nova criatura. 
Que o próprio Cristo nos faça viver à sombra da cruz para podermos sempre experimentar mais toda a extensão e profundidade do perdão que de lá nos vem.  Para sua glória.


(De uma publicação original em 18/09/2009 – ibsolnascente.blogspot.com)

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