terça-feira, 20 de junho de 2017

O TETRAGRAMA SAGRADO

Nas páginas do Antigo Testamento Hebraico nós lemos que Deus se revelou.  Ele disse qual era o seu próprio nome, mas que este nome era totalmente sagrado.  Assim, em respeito ao nome sagrado, a Escrituras registraram o nome divino com quatro letras – o Tetragrama Sagrado: יהוה – mas a sua pronúncia se perdeu.  Partindo da indicação do Salmo 23, onde podemos ler o Nome de Deus registrado pelo salmista Davi, veja como diversas traduções da Bíblia optaram traduzir o Nome.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

HÁ PERDÃO NA CRUZ

Na excelente linha de argumentação teológica e doutrinária do autor aos Hebreus, ele afirma com clareza que sem derramamento de sangue não há perdão (Hb 9:22).  Por este raciocínio, entendemos que para a eliminação do pecado e suas consequências há a exigência espiritual de que o sangue seja vertido.
Para entender tais implicações, é necessário contudo, em primeiro lugar expor um conceito de pecado.  Em linhas gerais, pecado é mais que uma atitude socialmente reprovável ou mais que um desvio de conduta.  Pecado é uma ofensa a Deus como um ser pessoal que nos ama e, por isso, exige reparação.
Esta compreensão nos leva então a uma outra que associa os termos: pecado => reparação => sangue => cruz => perdão.  Assim, tudo aponta para a cruz de Cristo pois é de lá que emana todo o amor e todo o poder que produz o perdão divino ao ser humano decaído.
Mas como podemos entender o perdão de Deus em nós?  Uma visão mais ampla da verdade bíblica nos indica algumas respostas.
Em primeiro lugar, o perdão de Deus em nós é de graça.  Embora tenha custado o caríssimo preço de seu Filho Unigênito (lembre-se de Jo 3:16), para nós que o recebemos não nos custou nada!  Em Paulo é muito forte a convicção de que foi pela graça de Cristo Jesus transbordando para nós que alcançamos a dádiva do perdão (leia Rm 5:15 e compare com At 15:11).  Se vivenciamos hoje o perdão dos nossos pecados é que fomos atingidos pela maravilhosa graça.
O perdão de Deus em nós também é uma experiência completa.  Por definição, o pecado produz na fragmentação humana.  Ao nos outorgar seu perdão, o Senhor nos atinge por completo (este pode ser o sentido de 1Jo 1:9).  Mas nenhum texto é tão incisivo quanto a profecia de Miquéias: Deus declara que dos pecados perdoados já não restará lembrança alguma pois todos foram atirados nas profundezas do mar (veja como é lindo todo o texto de Mq 7:14-20!).
E mais ainda, o perdão de Deus em nós é extensivo.  Ao gozarmos de tal perdão somos levados mais além ao ato de também perdoar.  Assim foi indicado na Oração modelo, assim também na parábola do servo impiedoso (os textos são Mt 6:14-15 e Mt 18:21-35) e Paulo fala no constrangimento do amor de Cristo em 2Co 5:14.  O perdão divino gera em nós um espírito perdoador o qual nos liga novamente ao Senhor amoroso, nos refaz por dentro e cria novos laços com nossos irmãos (respectivamente: Ef 2:18; 2Co 5:17 e Ef 4:32).
É por isso que louvamos o Senhor por tal perdão.  É por isso que vivenciamos todo os dias o ser nova criatura. 
Que o próprio Cristo nos faça viver à sombra da cruz para podermos sempre experimentar mais toda a extensão e profundidade do perdão que de lá nos vem.  Para sua glória.


(De uma publicação original em 18/09/2009 – ibsolnascente.blogspot.com)

terça-feira, 13 de junho de 2017

Conselhos bíblicos sobre adoração e culto – O CULTO DE DAVI

Então disse Davi a toda a assembléia: “Louvem o Senhor, o seu Deus”.  E todos eles louvaram o Senhor, o Deus dos seus antepassados, inclinando-se e prostrando-se diante do Senhor e diante do rei.
 (1Cr 29:20)


Já sabemos que Davi foi um homem segundo o coração de Deus (constatado em At 13:22) e por isso podemos entender que seu modelo de culto e adoração, bem como seu projeto e relacionamento com o templo e o local de encontro efetivo com Deus devem servir de referência para a igreja hoje em seu projeto de culto.  Assim:
# Não queira trazer invenções ou inovações que desprezem ou desrespeitem a fé e o testemunho dos irmãos do passado.  Ter uma tradição e uma linha histórica faz parte da verdadeira adoração.  Considere isto quando for adorar ao Senhor (note que mesmo Jesus esteve alinhado com a fé revelada na história – é o que diz Hb 1:1-2).
# Aprenda sobre a revelação de Deus na história.  Isso significa que seu culto tem que ter base bíblica, pois é ela que dará conteúdo.  Considere também a coerência histórica dos seus atos de adoração.  O Deus que cultuamos hoje tem que ser o mesmo que foi adorado no passado (faça suas as palavras do Sl 44:1).
# Leve a sério a instrução bíblica de que é melhor dar que receber (está em At 20:35).  Faça de sua adoração um momento de gratidão pelo que já pode dar para o Reino de Deus e sua construção nesta terra.
# Quanto ao momento do culto em si, transforme cada novo encontro com o Senhor em uma nova oportunidade de entrega completa de si mesmo no altar (veja o que diz o Sl 116:17-19). 
# Afirmamos constantemente que nossa adoração deve ser alegre e festiva pela presença e encontro com o Senhor.  Lembre-se, contudo, que além da alegria interior que o Senhor nos proporciona, nosso culto tem que ser revestido de beleza e arte (aqui os salmos se multiplicam, veja, por exemplo, Sl 43:4 e Sl 98:4-6 além de Is 4:2).  Ofereça sempre o melhor para Deus.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

DEUS FAZENDO PRODÍGIOS

Alguns episódios na vida terrena de Jesus são surpreendentes pelo inusitado das circunstâncias que os cercam.  Lucas nos conta (em 5:17-26) um destes episódios quando Jesus estava pregando para uma multidão e alguns homens trouxeram um paralítico a fim de ser curado.  Como não conseguiam chegar perto, subiram no terraço da casa e o fizeram baixar na maca no meio da multidão para que este tivesse acesso a Jesus.
A narração continua com Jesus perdoando os pecados do enfermo e os fariseus questionando a autoridade de Jesus.  O evangelista ainda conta que por conhecer os corações daqueles homens, Jesus demonstrou o seu poder ao estender o poder de perdoar ao poder de curar, restabelecendo a saúde daquele paralítico – foi isso que causou admiração: Hoje vimos coisas extraordinárias (Lc 5:26).
A admiração dos que testemunharam o episódio é pelo fato de eles terem visto pessoalmente a concretização da ação de Deus em fazer proezas em favor dos seus.  O nosso Deus faz maravilhas e intervém em favor de homens e mulheres!  Nisto está a grandeza do seu amor e misericórdia!
Dos que presenciaram aquele acontecimento, três grupos são bem destacados:
O primeiro grupo citado é o dos fariseus e professores da lei.  Por definição deveriam ser os que mais conheciam a Deus e o seu poder amoroso; mas não foi isso que aconteceu.  Eles estavam ali para ouvirem Jesus falar, mas não estavam dispostos a crer nele como o Messias.  Aqueles homens da religião testemunharam do poder de Deus, mas as amarras religiosas e um conhecimento canhestro e limitado de quem é Deus os impediu de serem tocados pela graça divina.
Às vezes nosso conhecimento limitado de quem é Deus também limita nossa percepção do que ele faz entre nós e por nós
Um destaque deve ser dado ao paralítico.  Ele ouviu as instruções de Jesus para levantar, pegar a cama e ir para casa e se dispôs imediatamente a cumpri-las.  Sem alternativas e consciente de sua deficiência, aquele homem – nem o nome sabemos dele – assumiu que carecia da intervenção de Cristo em sua vida e esteve aberto para recebê-la com humildade.
Ao reconhecer nossa absoluta necessidade da Deus e nos submeter à manifestação de sua vontade, ele realmente age em nosso favor.
E por fim, devo citar o grupo de homens que alguma coisa fizeram em prol do paralítico.  E Lucas chama a atenção para o fato que Jesus notou a fé que eles tinham.  Eram apenas alguns homens diante de uma multidão que cercava Jesus, mas eles não mediram esforços nem se detiveram diante das impossibilidades para levarem o necessitado até Jesus.
Quando usamos de coragem e ousadia para levar pessoas até Jesus, as proezas de Deus acontecem.
Finalizo questionando: a qual destes grupos você se assemelha?

(Publicação original em 02/10/2009 – ibsolnascente.blogspot.com)

terça-feira, 6 de junho de 2017

JERUSALÉM DE OURO

No ano de 1967 – ano em que nasci – a compositora judia-israelense Naomi Shemer compôs "Jerusalém de Ouro" (em hebraico: זהב של ירשלים, Yerushalayim Shel Zahav).  Quem a primeiro apresentou ao público foi a até então desconhecida Shuli Nathan no Festival de Música Israelita em 15 de maio do mesmo ano.  E a canção se tornou um marco da música judaica no século XX, uma espécie de segundo hino nacional de Israel.
Falar sobre esta música é sempre um pouco complicado: meus olhos ainda insistem em se deixar molhar ao sabor de sua melodia e letra.  Então, para facilitar as coisas, vou começar falando sobre o contexto onde ela surgiu. Depois volto-me à canção.
O Estado de Israel, como nação moderna, fora criado em maio de 1948 e no ano de 1967 estava envolvido na chamada "Guerra dos Seis Dias" contra uma liga de paises árabes – e que depois, como resultado, daria maior controle de Jerusalém às forças de Israel (mas isso só viria em agosto...). 
Em maio, quando a canção foi escrita, a batalha ainda estava sendo travada e Jerusalém ainda estava sob o domínio da Jordânia.  Então Shemer, que já havia servido nas forças militares de Israel e já era poetisa e compositora reconhecida, escreveu sua declaração de amor à cidade.
Mas, deixe-me voltar à musica porque as lágrimas já estão secando com estas palavras introdutórias e eu ainda quero aproveitar a emoção!
Escrita em tonalidade menor, a melodia é uma canção de ninar – a própria autora confessou a inspiração – que suavemente nos envolve e acolhe como quem apenas suspira enquanto o coração é acalantado pela esperança que insiste em se alimentar, apesar da história e das circunstâncias, mantendo-se em absoluta paz.  E nos faz sentir em casa.
Há também um outro sentimento indisfarçável que a música faz aflorar: paixão.  Não a paixão arrebatadora dos adolescentes de hormônios em polvorosa.  Uma paixão serena, profunda e madura que faz vibrar a linha melódica como se o coração igualmente vibrasse em uma sinfonia: paixão pela cidade santa, paixão pelo lar, paixão pela paz.
E ainda sobre a melodia: na primeira audição, a música foi cantada tendo apenas o violão da própria cantora como acompanhamento, mas sugiro ouvi-la ao som do violino: é indescritível!  Não somente pela indicação da letra em si – ela diz: "Por que não ser eu o violino para todas as suas canções?" – mas também porque penso que nenhum outro instrumento melhor faz soar o que a melodia imprime.  Repito: indescritível!
Há ainda a letra.  Escrita no original em hebraico, ela já foi versada em diversas outras línguas e gravada sucessivas vezes (inclusive em português por gente famosa: é fácil achá-la na internet).  Só que pretendo ser ousado para primeiro comentar na língua original, e assim deixo o significado para depois.
Ou melhor, vamos inverter. Falemos primeiro do significado das palavras cantadas.
A partir de inspirações tiradas do talmude, de poemas clássicos, da tradição popular e de textos bíblicos, a canção fala da tristeza da cidade solitária, do cheiro trazido das montanhas que a cercam e do caminho que leva ao Mar Morto.  Mas não é uma tristeza final, fatal.  É um clamor de esperança, um toque do shofar que chama ao monte do templo, na cidade velha.  Ela canta:
Porém hoje venho cantar para ti
E te elogiar
Eu sou o menor dos teus filhos jovens
E um dos últimos poetas
Teu nome queima os lábios
Como o beijo de um Serafim
Se eu te esquecer Jerusalém
Que é toda de ouro.
Sim, o hebraico.  Para ser honesto, nenhuma versão faz jus às palavras cantadas na língua original.  Mesmo que você não entenda uma só expressão do que é dito naquela língua, a pronúncia naturalmente gutural do hebraico dá um tom mais dramático e sentido à música.  Não precisa compreender seus significados linguísticos para a sentir.  Parece estar rasgando de dentro para fora o coração.  A dor é sincera, é universal, é humana.
Jerusalém é cidade velha que se renova, é a cidade santa, é de ouro.  Ali Davi marcou seu triunfo como rei.  Por ela santos suspiraram.  Outros conspiraram.  Ali a morte foi vencida.  A esperança restaurada.
Na canção de Naomi Shemer, é como se o Salmo 122:7-8 estivesse respondido em cada nota.


sexta-feira, 2 de junho de 2017

UMA GRANDE FESTA

Na casa de um fariseu, Jesus uma vez contou a parábola do grande banquete.  Na narração, um certo homem planejou uma grande recepção e convidou alguns chegados.  Como era costume, na hora marcada mandou seus servos anunciar o evento.  Mas o inesperado aconteceu: um a um, todos apresentaram desculpas e não compareceram.
Porém o banquete estava pronto.  Então o senhor mandou trazer novos convidados para que a casa ficasse cheia (leia toda a parábola em Lc 14:15-24).
A primeira verdade desta história é que Jesus compara o Reino de Deus a uma grande festa.  Ao contrário do que se diz por aí: a vida em Cristo é sempre uma vida festiva e alegre.  Nela não faltam motivos para celebrar (já refleti aqui sobre Rm 14:17 e veja também Sl 16:11).
Duas outras constatações posso ver na parábola.  Aparecem claramente dois tipos de convidados – e não são os que foram chamados primeiro ou por último.  Jesus os divide entre os que estão dentro e os que estão fora do banquete, não existe meio termo ou terceira opção (neste ponto Jesus é radical em Mt 12:30).  Entendendo que o Reino de Deus é uma grande festa, então estamos todos nós divididos apenas entre os que participam do Reino e celebram, com o Rei e os que por qualquer razão estão fora e estão excluídos da alegria eterna.
A outra constatação é a atualidade da narração: ela vale para hoje.  E entendendo assim, a frase do senhor da festa ainda ecoa: ainda há lugar (confira em Lc 14:22).  Isto é verdade presente.  Na grande festa que é o Reino de Deus ainda hoje há lugar. 
Vou lhe dar três razões para acreditar nisto:
a) Ainda há lugar porque há espaço suficiente para todos.  Na cruz de Cristo há poder bastante para que todo ser humano em qualquer tempo e lugar possa ser alcançado pela graça divina e ser aceito no Reino de Deus (aqui os textos bíblicos são inúmeros, veja, por exemplo, Rm 1:16 e Jo 1:11-13).
b) Ainda há lugar porque os servos continuam sendo enviados a convidar.  A igreja está hoje debaixo de uma missão de atrair pessoas para o Reino (tal missão é dita em resumo em Mc 16:15).
c) Ainda há lugar porque o convite é individual.  A minha credencial só vale para mim mesmo; ninguém vai tomar o meu lugar – nem o seu (isso já havia sido dito ao profeta em Ez 18:1-4).
O Reino de Deus é uma grande festa.  Mas o que queremos é atrair mais e mais pessoas para participar da festa conosco.  Aceite este convite: Venha para a nossa grande festa.

(Texto publicado originalmente em 27/08/2010 – ibsolnascente.blogspot.com.br)