sexta-feira, 24 de março de 2017

Parábola das coisas – O PERFUME

Uma das primeiras lembranças que tenho da minha avó falando em público (e talvez, sinceramente, a única!) era baseada naquele texto que diz sermos para Deus o agradável cheiro de Cristo (o texto bíblico seria 2Co 2:15 – acho).  As lembranças não são muito ricas, mas não me esqueci do contexto geral nem de achar curioso minha avó dizendo:
— Deus gosta de lhe cheirar e achar cheiroso!
Por esses dias estava reavendo aquelas memórias e deixei as ideias vaguearem um pouco pelos conceitos que podem ser agregados ao cheiro – daí, perfume.  Mas, que coisa seria essa, o perfume?
Para começar, os antigos criaram a palavra a partir do hábito que tinham para se fazerem cheirosos.  Eles costumavam queimar essências aromáticas e deixar os ambientes e os corpos serem impregnados com a fumaça.  E então tudo ganhava o seu aroma, o perfume – per fumum – pela fumaça.
Ah! E antes que esqueça.  Tenho outra lembrança da infância relativa ao olfato: a minha mãe sempre manteve um jasmineiro em seu jardim – ainda hoje tem um lá.  É claro: o suave e gostoso cheiro do jasmim permanece aconchegante e me faz respirar fundo com a sensação de estar em casa.
Mas, voltando ao perfume, veja o que ele pode me evocar.  Certamente não vou me ater ao apelo comercial que algumas marcas estampam – deixe que os da mídia façam isso – nem ao luxo e exclusividade que algumas essências indicam – isso não me interessa.  Quero pensar um pouco no perfume como uma parábola daquilo que eu exalo, ou posso exalar, e como isso influencia as pessoas que estão ao meu redor.
Bem, vou tomar duas citações bíblicas para me servirem de guia nesta compreensão.  Entendo que sempre o texto sagrado é rico em ilustrações e indicações.  Sei que há outros vários textos, mas dois serão suficientes: um ruim é um bom.
O sábio escreveu que "assim como a mosca morta  produz mau cheiro e estraga o perfume, também um pouco de insensatez pesa mais que a sabedoria e a honra" (Ec 10:1 NVI).  Assim, o primeiro perfume que andam espalhando por aí é cheiro de mosca morta.  Algumas vezes é só uma gota, mas como tem gente por aí fedendo a estupidez neste mundo! O perfume já deteriorou e a impressão que passa é de uma vida carcomida pela falta de sabedoria e honra.
Deixemos o mau cheiro... Eu prefiro o cheiro do jasmim.
Um outro texto que gosto muito é o que narra a história de Noé, quando ele saiu da arca e edificou um altar ao Senhor.  Ali é dito que Senhor sentiu o aroma agradável da adoração do patriarca e resolver estabelecer uma aliança.  E o texto prossegue com a afirmação: "Deus abençoou Noé" (Gn 9:1 – a narração do altar de Noé está nos versículos finais no capítulo anterior). 
E eu imagino Deus respirando fundo e se satisfazendo com cheiro gostoso que vinha daquele ato de culto e abrindo um belo sorriso.  O bom cheiro subiu aos céus e moveu Deus.
Agora, voltando ao texto citado por minha avó, imagine o que acontece quando Deus sente em nós o bom perfume de Cristo!?


6 comentários:

  1. Sempre que posso passo por aqui amigo, gosto muito do seu blog. Tenha um bom final de semana. Abraço.

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  2. Ah que doce e amadeirada reflexão. Primeiro e tangente ao texto, gosto de avós, do cheiro delas , da sabedoria suave e impregnada até no silêncio. Depois, não conhecia o texto de coríntios e bem, que forte exortação essa, a da parábola. Bom seria se todos pudessem compreender para além da beleza das informações etimológicas que nos apresentas, o que sugerem ao citar a podridão em nosso meio. A começar em mim, há muito por desanuviar para que que Deus me sinta cheirosinho.

    Obrigado pastor. Seus textos, inspirados por Deus, têm sido bênção pra mim...

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    1. Valeu o cometário. Minha oração é que possamos sempre continuar exalando o bom perfume de Cristo.
      Abraço.

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  3. Muito interessante seu artigo, não conhecia seu blog agora você conseguiu um leitor fiel rs

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