terça-feira, 20 de junho de 2017

O TETRAGRAMA SAGRADO

Nas páginas do Antigo Testamento Hebraico nós lemos que Deus se revelou.  Ele disse qual era o seu próprio nome, mas que este nome era totalmente sagrado.  Assim, em respeito ao nome sagrado, a Escrituras registraram o nome divino com quatro letras – o Tetragrama Sagrado: יהוה – mas a sua pronúncia se perdeu.  Partindo da indicação do Salmo 23, onde podemos ler o Nome de Deus registrado pelo salmista Davi, veja como diversas traduções da Bíblia optaram traduzir o Nome.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

HÁ PERDÃO NA CRUZ

Na excelente linha de argumentação teológica e doutrinária do autor aos Hebreus, ele afirma com clareza que sem derramamento de sangue não há perdão (Hb 9:22).  Por este raciocínio, entendemos que para a eliminação do pecado e suas consequências há a exigência espiritual de que o sangue seja vertido.
Para entender tais implicações, é necessário contudo, em primeiro lugar expor um conceito de pecado.  Em linhas gerais, pecado é mais que uma atitude socialmente reprovável ou mais que um desvio de conduta.  Pecado é uma ofensa a Deus como um ser pessoal que nos ama e, por isso, exige reparação.
Esta compreensão nos leva então a uma outra que associa os termos: pecado => reparação => sangue => cruz => perdão.  Assim, tudo aponta para a cruz de Cristo pois é de lá que emana todo o amor e todo o poder que produz o perdão divino ao ser humano decaído.
Mas como podemos entender o perdão de Deus em nós?  Uma visão mais ampla da verdade bíblica nos indica algumas respostas.
Em primeiro lugar, o perdão de Deus em nós é de graça.  Embora tenha custado o caríssimo preço de seu Filho Unigênito (lembre-se de Jo 3:16), para nós que o recebemos não nos custou nada!  Em Paulo é muito forte a convicção de que foi pela graça de Cristo Jesus transbordando para nós que alcançamos a dádiva do perdão (leia Rm 5:15 e compare com At 15:11).  Se vivenciamos hoje o perdão dos nossos pecados é que fomos atingidos pela maravilhosa graça.
O perdão de Deus em nós também é uma experiência completa.  Por definição, o pecado produz na fragmentação humana.  Ao nos outorgar seu perdão, o Senhor nos atinge por completo (este pode ser o sentido de 1Jo 1:9).  Mas nenhum texto é tão incisivo quanto a profecia de Miquéias: Deus declara que dos pecados perdoados já não restará lembrança alguma pois todos foram atirados nas profundezas do mar (veja como é lindo todo o texto de Mq 7:14-20!).
E mais ainda, o perdão de Deus em nós é extensivo.  Ao gozarmos de tal perdão somos levados mais além ao ato de também perdoar.  Assim foi indicado na Oração modelo, assim também na parábola do servo impiedoso (os textos são Mt 6:14-15 e Mt 18:21-35) e Paulo fala no constrangimento do amor de Cristo em 2Co 5:14.  O perdão divino gera em nós um espírito perdoador o qual nos liga novamente ao Senhor amoroso, nos refaz por dentro e cria novos laços com nossos irmãos (respectivamente: Ef 2:18; 2Co 5:17 e Ef 4:32).
É por isso que louvamos o Senhor por tal perdão.  É por isso que vivenciamos todo os dias o ser nova criatura. 
Que o próprio Cristo nos faça viver à sombra da cruz para podermos sempre experimentar mais toda a extensão e profundidade do perdão que de lá nos vem.  Para sua glória.


(De uma publicação original em 18/09/2009 – ibsolnascente.blogspot.com)

terça-feira, 13 de junho de 2017

Conselhos bíblicos sobre adoração e culto – O CULTO DE DAVI

Então disse Davi a toda a assembléia: “Louvem o Senhor, o seu Deus”.  E todos eles louvaram o Senhor, o Deus dos seus antepassados, inclinando-se e prostrando-se diante do Senhor e diante do rei.
 (1Cr 29:20)


Já sabemos que Davi foi um homem segundo o coração de Deus (constatado em At 13:22) e por isso podemos entender que seu modelo de culto e adoração, bem como seu projeto e relacionamento com o templo e o local de encontro efetivo com Deus devem servir de referência para a igreja hoje em seu projeto de culto.  Assim:
# Não queira trazer invenções ou inovações que desprezem ou desrespeitem a fé e o testemunho dos irmãos do passado.  Ter uma tradição e uma linha histórica faz parte da verdadeira adoração.  Considere isto quando for adorar ao Senhor (note que mesmo Jesus esteve alinhado com a fé revelada na história – é o que diz Hb 1:1-2).
# Aprenda sobre a revelação de Deus na história.  Isso significa que seu culto tem que ter base bíblica, pois é ela que dará conteúdo.  Considere também a coerência histórica dos seus atos de adoração.  O Deus que cultuamos hoje tem que ser o mesmo que foi adorado no passado (faça suas as palavras do Sl 44:1).
# Leve a sério a instrução bíblica de que é melhor dar que receber (está em At 20:35).  Faça de sua adoração um momento de gratidão pelo que já pode dar para o Reino de Deus e sua construção nesta terra.
# Quanto ao momento do culto em si, transforme cada novo encontro com o Senhor em uma nova oportunidade de entrega completa de si mesmo no altar (veja o que diz o Sl 116:17-19). 
# Afirmamos constantemente que nossa adoração deve ser alegre e festiva pela presença e encontro com o Senhor.  Lembre-se, contudo, que além da alegria interior que o Senhor nos proporciona, nosso culto tem que ser revestido de beleza e arte (aqui os salmos se multiplicam, veja, por exemplo, Sl 43:4 e Sl 98:4-6 além de Is 4:2).  Ofereça sempre o melhor para Deus.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

DEUS FAZENDO PRODÍGIOS

Alguns episódios na vida terrena de Jesus são surpreendentes pelo inusitado das circunstâncias que os cercam.  Lucas nos conta (em 5:17-26) um destes episódios quando Jesus estava pregando para uma multidão e alguns homens trouxeram um paralítico a fim de ser curado.  Como não conseguiam chegar perto, subiram no terraço da casa e o fizeram baixar na maca no meio da multidão para que este tivesse acesso a Jesus.
A narração continua com Jesus perdoando os pecados do enfermo e os fariseus questionando a autoridade de Jesus.  O evangelista ainda conta que por conhecer os corações daqueles homens, Jesus demonstrou o seu poder ao estender o poder de perdoar ao poder de curar, restabelecendo a saúde daquele paralítico – foi isso que causou admiração: Hoje vimos coisas extraordinárias (Lc 5:26).
A admiração dos que testemunharam o episódio é pelo fato de eles terem visto pessoalmente a concretização da ação de Deus em fazer proezas em favor dos seus.  O nosso Deus faz maravilhas e intervém em favor de homens e mulheres!  Nisto está a grandeza do seu amor e misericórdia!
Dos que presenciaram aquele acontecimento, três grupos são bem destacados:
O primeiro grupo citado é o dos fariseus e professores da lei.  Por definição deveriam ser os que mais conheciam a Deus e o seu poder amoroso; mas não foi isso que aconteceu.  Eles estavam ali para ouvirem Jesus falar, mas não estavam dispostos a crer nele como o Messias.  Aqueles homens da religião testemunharam do poder de Deus, mas as amarras religiosas e um conhecimento canhestro e limitado de quem é Deus os impediu de serem tocados pela graça divina.
Às vezes nosso conhecimento limitado de quem é Deus também limita nossa percepção do que ele faz entre nós e por nós
Um destaque deve ser dado ao paralítico.  Ele ouviu as instruções de Jesus para levantar, pegar a cama e ir para casa e se dispôs imediatamente a cumpri-las.  Sem alternativas e consciente de sua deficiência, aquele homem – nem o nome sabemos dele – assumiu que carecia da intervenção de Cristo em sua vida e esteve aberto para recebê-la com humildade.
Ao reconhecer nossa absoluta necessidade da Deus e nos submeter à manifestação de sua vontade, ele realmente age em nosso favor.
E por fim, devo citar o grupo de homens que alguma coisa fizeram em prol do paralítico.  E Lucas chama a atenção para o fato que Jesus notou a fé que eles tinham.  Eram apenas alguns homens diante de uma multidão que cercava Jesus, mas eles não mediram esforços nem se detiveram diante das impossibilidades para levarem o necessitado até Jesus.
Quando usamos de coragem e ousadia para levar pessoas até Jesus, as proezas de Deus acontecem.
Finalizo questionando: a qual destes grupos você se assemelha?

(Publicação original em 02/10/2009 – ibsolnascente.blogspot.com)

terça-feira, 6 de junho de 2017

JERUSALÉM DE OURO

No ano de 1967 – ano em que nasci – a compositora judia-israelense Naomi Shemer compôs "Jerusalém de Ouro" (em hebraico: זהב של ירשלים, Yerushalayim Shel Zahav).  Quem a primeiro apresentou ao público foi a até então desconhecida Shuli Nathan no Festival de Música Israelita em 15 de maio do mesmo ano.  E a canção se tornou um marco da música judaica no século XX, uma espécie de segundo hino nacional de Israel.
Falar sobre esta música é sempre um pouco complicado: meus olhos ainda insistem em se deixar molhar ao sabor de sua melodia e letra.  Então, para facilitar as coisas, vou começar falando sobre o contexto onde ela surgiu. Depois volto-me à canção.
O Estado de Israel, como nação moderna, fora criado em maio de 1948 e no ano de 1967 estava envolvido na chamada "Guerra dos Seis Dias" contra uma liga de paises árabes – e que depois, como resultado, daria maior controle de Jerusalém às forças de Israel (mas isso só viria em agosto...). 
Em maio, quando a canção foi escrita, a batalha ainda estava sendo travada e Jerusalém ainda estava sob o domínio da Jordânia.  Então Shemer, que já havia servido nas forças militares de Israel e já era poetisa e compositora reconhecida, escreveu sua declaração de amor à cidade.
Mas, deixe-me voltar à musica porque as lágrimas já estão secando com estas palavras introdutórias e eu ainda quero aproveitar a emoção!
Escrita em tonalidade menor, a melodia é uma canção de ninar – a própria autora confessou a inspiração – que suavemente nos envolve e acolhe como quem apenas suspira enquanto o coração é acalantado pela esperança que insiste em se alimentar, apesar da história e das circunstâncias, mantendo-se em absoluta paz.  E nos faz sentir em casa.
Há também um outro sentimento indisfarçável que a música faz aflorar: paixão.  Não a paixão arrebatadora dos adolescentes de hormônios em polvorosa.  Uma paixão serena, profunda e madura que faz vibrar a linha melódica como se o coração igualmente vibrasse em uma sinfonia: paixão pela cidade santa, paixão pelo lar, paixão pela paz.
E ainda sobre a melodia: na primeira audição, a música foi cantada tendo apenas o violão da própria cantora como acompanhamento, mas sugiro ouvi-la ao som do violino: é indescritível!  Não somente pela indicação da letra em si – ela diz: "Por que não ser eu o violino para todas as suas canções?" – mas também porque penso que nenhum outro instrumento melhor faz soar o que a melodia imprime.  Repito: indescritível!
Há ainda a letra.  Escrita no original em hebraico, ela já foi versada em diversas outras línguas e gravada sucessivas vezes (inclusive em português por gente famosa: é fácil achá-la na internet).  Só que pretendo ser ousado para primeiro comentar na língua original, e assim deixo o significado para depois.
Ou melhor, vamos inverter. Falemos primeiro do significado das palavras cantadas.
A partir de inspirações tiradas do talmude, de poemas clássicos, da tradição popular e de textos bíblicos, a canção fala da tristeza da cidade solitária, do cheiro trazido das montanhas que a cercam e do caminho que leva ao Mar Morto.  Mas não é uma tristeza final, fatal.  É um clamor de esperança, um toque do shofar que chama ao monte do templo, na cidade velha.  Ela canta:
Porém hoje venho cantar para ti
E te elogiar
Eu sou o menor dos teus filhos jovens
E um dos últimos poetas
Teu nome queima os lábios
Como o beijo de um Serafim
Se eu te esquecer Jerusalém
Que é toda de ouro.
Sim, o hebraico.  Para ser honesto, nenhuma versão faz jus às palavras cantadas na língua original.  Mesmo que você não entenda uma só expressão do que é dito naquela língua, a pronúncia naturalmente gutural do hebraico dá um tom mais dramático e sentido à música.  Não precisa compreender seus significados linguísticos para a sentir.  Parece estar rasgando de dentro para fora o coração.  A dor é sincera, é universal, é humana.
Jerusalém é cidade velha que se renova, é a cidade santa, é de ouro.  Ali Davi marcou seu triunfo como rei.  Por ela santos suspiraram.  Outros conspiraram.  Ali a morte foi vencida.  A esperança restaurada.
Na canção de Naomi Shemer, é como se o Salmo 122:7-8 estivesse respondido em cada nota.


sexta-feira, 2 de junho de 2017

UMA GRANDE FESTA

Na casa de um fariseu, Jesus uma vez contou a parábola do grande banquete.  Na narração, um certo homem planejou uma grande recepção e convidou alguns chegados.  Como era costume, na hora marcada mandou seus servos anunciar o evento.  Mas o inesperado aconteceu: um a um, todos apresentaram desculpas e não compareceram.
Porém o banquete estava pronto.  Então o senhor mandou trazer novos convidados para que a casa ficasse cheia (leia toda a parábola em Lc 14:15-24).
A primeira verdade desta história é que Jesus compara o Reino de Deus a uma grande festa.  Ao contrário do que se diz por aí: a vida em Cristo é sempre uma vida festiva e alegre.  Nela não faltam motivos para celebrar (já refleti aqui sobre Rm 14:17 e veja também Sl 16:11).
Duas outras constatações posso ver na parábola.  Aparecem claramente dois tipos de convidados – e não são os que foram chamados primeiro ou por último.  Jesus os divide entre os que estão dentro e os que estão fora do banquete, não existe meio termo ou terceira opção (neste ponto Jesus é radical em Mt 12:30).  Entendendo que o Reino de Deus é uma grande festa, então estamos todos nós divididos apenas entre os que participam do Reino e celebram, com o Rei e os que por qualquer razão estão fora e estão excluídos da alegria eterna.
A outra constatação é a atualidade da narração: ela vale para hoje.  E entendendo assim, a frase do senhor da festa ainda ecoa: ainda há lugar (confira em Lc 14:22).  Isto é verdade presente.  Na grande festa que é o Reino de Deus ainda hoje há lugar. 
Vou lhe dar três razões para acreditar nisto:
a) Ainda há lugar porque há espaço suficiente para todos.  Na cruz de Cristo há poder bastante para que todo ser humano em qualquer tempo e lugar possa ser alcançado pela graça divina e ser aceito no Reino de Deus (aqui os textos bíblicos são inúmeros, veja, por exemplo, Rm 1:16 e Jo 1:11-13).
b) Ainda há lugar porque os servos continuam sendo enviados a convidar.  A igreja está hoje debaixo de uma missão de atrair pessoas para o Reino (tal missão é dita em resumo em Mc 16:15).
c) Ainda há lugar porque o convite é individual.  A minha credencial só vale para mim mesmo; ninguém vai tomar o meu lugar – nem o seu (isso já havia sido dito ao profeta em Ez 18:1-4).
O Reino de Deus é uma grande festa.  Mas o que queremos é atrair mais e mais pessoas para participar da festa conosco.  Aceite este convite: Venha para a nossa grande festa.

(Texto publicado originalmente em 27/08/2010 – ibsolnascente.blogspot.com.br)

terça-feira, 30 de maio de 2017

Conselhos bíblicos sobre adoração e culto – NO LIVRO DA LEI

Da Tenda do Encontro o Senhor chamou Moisés e lhe ordenou: “Diga o seguinte aos israelitas: Quando alguém trouxer um animal como oferta ao Senhor, que seja do gado do rebanho de ovelhas”.  “Se o holocausto for de gado, oferecerá um macho sem defeito”.
(Lv 1:1-3)


O estudo das instruções contidas no livro de Levítico pode parecer a alguns cristãos como enfadonho e distante da realidade da graça que sobressai em nossa adoração na igreja hoje.  A busca da percepção espiritual – mais que ritual – das lições ali contidas, podem porém ser aplicadas a cada cristão em seus cultos.  Assim, atenha-se as seguintes aplicações:
# Não permita que o mundo, com seus valores e modelos, seja o padrão de sua vida e adoração.  Lembre-se que o Senhor exige santidade em todos os aspectos de sua vida e você, como servo fiel, deve saber diferenciar o que é santo ao Senhor.
# Apresente-se ao Senhor como o adorador digno da santidade divina.  Cuidado para os afazeres diários não sufocarem seu culto, com foi o caso na semente caída em terreno pedregoso (atente para a parábola do semeador em Mt 13:5).
# Mantenha a leitura e estudo bíblico como regra e critério de sua adoração.  Quanto mais você aprender da Palavra de Deus, melhor e mais aceitável será seu culto.
# A palavra é dura em relação aos que fazem a obra do Senhor de maneira negligente ou descompromissada (é o que diz Jr 48:10).  Então dê atenção e cuidado a cada detalhe de sua adoração para oferecer ao Senhor o que tem de melhor.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

ATÉ QUANDO? – uma leitura do Salmo 74

Já não vemos os nossos sinais, já não há profeta, 
nem há entre nós alguém que saiba até quando isto durará. (v. 9)
Este é o verso central do Salmo 74 que dá voz à congregação em seu lamento diante de Deus.  O tema central do salmo é a queixa por Deus ter "rejeitado" (v. 1) o seu povo.  A congregação se queixa diante de Deus questionando e requerendo atenção e lembrança divina.
Lembra-te ... (v. 2)
Levanta os teus pés ... (v. 3)
Lembra-te disto ... (v. 14)
Atende a tua aliança ... (v. 20)
Levanta-te, ó Deus ... (v. 22)
Lembra-te ... (v. 22)
Não te esqueças ... (v. 23)
Lembrando do pacto e do acerto feito entre Criador e Criaturas – Deus e seres humanos – o salmista coloca diante de Deus toda a queixa da comunidade que se vê abandonada por Deus.
Até quando, ó Deus, nos afrontará o inimigo? (v. 10)
O questionamento é assim: se Deus é o Todo-Poderoso, conforme demonstram as suas ações testemunhadas pelos antepassados, por que hoje não mais podemos testemunhar as suas ações?  E por que a todo instante os inimigos parecem triunfar?  Até quando nós deveremos supliciar esperando que "a tua mão" (v. 11) se manifeste novamente no meu do povo?  Se o Senhor é quem estabeleceu "todos os limites da terra" (v. 17), então por que "os teus inimigos bramam no meio dos teus lugares santos" (v. 4)?
Mas ao contrário de outros salmos que apesar da angústia e da ansiedade concluem com uma palavra de louvor e reconhecimento, este salmo termina dando voz a uma comunidade que se encontra em "tumulto" (v. 23) e que por isso mesmo conclama a Deus que resolva ele mesmo a questão:
Lembra-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa;
lembra-te da afronta que o louco de faz cada dia (v. 22)


terça-feira, 23 de maio de 2017

CARGOS E FUNÇÕES NA IGREJA PRIMITIVA

Embora não tenhamos um manual administrativo da Igreja no primeiro século cristão, com organograma e coisa parecida – e penso que não havia isso mesmo – e nem uma estrutura única para todas as comunidades, é possível identificar alguns cargos e funções de liderança exercidos da Igreja Primitiva a partir de sugestões que encontramos no NT grego.  Vejamos:


sexta-feira, 19 de maio de 2017

O CÉU É JESUS

Eu já ouvi falar de uma terra sem igual
Aonde tudo é paz e não há lugar pro mal
Almejo este lar, tão puro e sem igual
Mas eu não sei o dia em que virá pra mim

Assim são os primeiros versos da canção "O Céu é Jesus" que Jader Santos escreveu e os Arautos do Rei gravaram no álbum "Eu não sou mais eu" em 1999.  E, preciso já confessar, desde então a tenho ouvido com renovada piedade espiritual.
Entendo em não usar este espaço para tecer comentários sobre os personagens envolvidos na música – bem que poderia, valeria ... mas não pretendo.
Também não penso em analisar seus termos com olhos técnico-teológicos, apesar dos anos em sala de aula de Teologia – magistério que exerço como ministério.  Sei que há muito a dizer: há prós e contras, sem dúvida.  Mas não quero aqui me ocupar desta tarefa.
Como disse lá em cima, eu a tenho ouvido com renovada piedade espiritual.  Assim vou ouvi-la.  A melodia, a harmonia e o arranjo, de modo geral se encaixam muito bem e são belíssimos.  São um verdadeiro convite a buscar e estar na presença de Jesus; um convite à contrição, à adoração e à meditação – disciplinas cristãs já quase fora de moda hoje em dia!
Canções como esta são verdadeiros hinos e fazem vibrar algumas cordas da alma cuja antiguidade, serenidade e profundidade nos dão força e saciam nossa existência.  É um sentimento de pertencer a algo maior e mais significativo que nossa rasa e curta história que faz a caminhada se alimentar de esperanças e presenças.
— Estou poético!!! É, a música faz isso!!!
Mas tem ainda a letra.  Sei que a própria Bíblia tenta descrever o nosso destino em linguagem figurada se referindo às moradas eternas como ruas de ouro e mar de cristal.  Mas o que conta mesmo é saber que, do outro lado, o que nos aguarda é a companhia eterna do Cordeiro que se assenta sobre o trono e só a ele se dirigirá nossa atenção e adoração eternas.
— Sentiu os tons do Apocalipse nestas linhas?
 E tem outras questões pontuais... mas vamos em frente.  É a presença de Jesus desfrutada em meio aos remidos que o louvam, é esta convicção inabalável que me faz saber que em meio a luta e dor, eu posso estar em paz pois meu viver já coloquei nas mãos do Pai
E tem mais: não existe céu sem Jesus e não existe paz sem Jesus, pois a verdade de minha fé é que sem ele a riqueza do universo é sem valor
É por isso que não pergunto quando? Onde? Como? De que modo?  Apenas sou acalentado e me deixo embalar como um suave ir-e-vir de uma rede de dormir enquanto saboreio a antecipação do céu.
Assim, diante desta presença augusta onde posso desfrutar de toda sorte de bênçãos espirituais já agora, enquanto aguardo o grande dia do encontro da noiva com o noivo, em triunfante cortejo de glória eterna, mesmo certo de que em nós haverá de ser revelado algo de modo imensurável maior e melhor que os aperitivos do agora; eu continuo cantando:

O céu é aqui, se eu tomo tempo pra louvar
O céu é aqui, se eu me ajoelho para orar
O céu é aqui, se eu aprendi a perdoar
O céu é Jesus, e, onde ele estiver, o céu será ali.

terça-feira, 16 de maio de 2017

O ALFABETO HELÊNICO

O alfabeto grego (Ελληνικό ἀλφάβητο) foi desenvolvido por volta do século IX a.C.  Inicialmente, o grego foi escrito por meio de um silabário, utilizado em Creta e zonas da Grécia continental como Micenas ou Pilos entre os séculos XVI a.C. e XII a.C.  Daí se desenvolveu para as sucessivas famílias helênicas – inclusive o koiné usado no Novo Testamento bíblico e o grego moderno, sendo usado hoje em dia inclusive como notação em Matemática e Astronomia e outras ciências.

Veja no quadro a seguir um pouco deste universo linguístico. 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

SOBRE FAMÍLIAS

A Bíblia começa afirmando que "no princípio criou Deus os céus e a terra" e é neste mesmo contexto que o texto sagrado nos diz que "não é bom que esteja só ... farei uma companheira".  O que nos dá claramente a entender que foi o próprio Deus quem primeiro idealizou a família.
Mas a família idealizada por Deus não uma organização etérea.  Ela existe dentro de um ambiente humano.  Com isto afirmamos que a família é um ideal divino dentro de construções humanas.  O que nos leva a compreender algumas lições importantes.
Como construção humana, a família está culturalmente condicionada; mas como ideal divino ela deve prover um ambiente que cumpra os seus objetivos de estabelecer mutualidade, companheirismo e fraternidade.  Como construção humana ela está sempre em processo e nunca definitivamente concluída; como ideal divino a família toma como modelo o relacionamento entre Cristo e a Igreja – puro e perfeito.
Sendo a família uma moeda de dupla face – humano-divina – devemos então compreender que é o próprio Cristo quem nos capacita para exercermos nossos papéis dentro do ambiente familiar.  Embora em outro contexto, mas as palavras de Paulo aos filipenses nos esclarece: "Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar" (Fl 2:13).
Neste mês de maio, quando refletimos sobre a família em seus várias aspectos e como devemos nos comportar nela, que sejamos impelidos a voltarmos nossas atenções a Deus que idealizou a família e nos colocou como seus agentes para a construção desta sociedade é que parte fundamental para a história humana.


terça-feira, 9 de maio de 2017

Conselhos bíblicos sobre adoração e culto – ABRAÃO OFERECE SEU FILHO

Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha.  Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.  Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho.  (...)  Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto.  Foi lá pegá-lo, e o sacrificou como holocausto em lugar do seu filho.
(Gn 22:9-13)


Abraão representa para nós a demonstração da bondade voluntária de Deus em escolhê-lo e em fazer aliança, bem como em ter ele sido provado e demonstrado que através da fé podemos ser aprovados pelo Senhor e ter nosso culto e adoração aceitos.  As lições da sua prova ao oferecer seu filho ao Senhor e de como Deus providenciou um substituto devem ser aprendidas por nós.
# Ouça a voz do Senhor e sempre procure obedecê-lo.  Mesmo que as instruções divinas possam parecer muito duras, lembre-se que nosso Deus é amoroso e não cruel e que seguir suas leis é sempre a melhor escolha (considere Mt 7:13-14).
# Cultive o hábito de a cada nova circunstância de sua vida oferecer um culto ao Senhor.  Não espere apenas os grandes momentos.  A cada dia adore-o com sinceridade.  Assim, quando as provações chegarem, a adoração já fará parte de seu modo de viver e será bem mais fácil superá-las (veja o Sl 34:1).
# Lembre-se de que Deus não precisa de seu culto e por isso não se satisfaz com qualquer coisa que é colocado sobre o altar.  Ele é dono de tudo (isso está dito em Sl 24:1).  Então ofereça a Deus o que você tem de melhor e o que ele requer de você (atenda a Pv 23:26).
# Estabeleça como centro do seu culto e de sua adoração o louvor pela obra de Cristo na cruz do Calvário.  Foi aquela morte que trouxe vida e liberdade a você.  Não permita que nada, nem ninguém, desvie a intenção e o conteúdo de sua adoração (sublinhe Hb 12:2).


sexta-feira, 5 de maio de 2017

PERMANEÇO NO FUNDAMENTO

Quando me perguntam se sou tradicional, com sinceridade, tenho dificuldade em responder.  Bem assim é, se a questão envolve ser conservador – também difícil.  Já quando se fala em ser saudosista, fundamentalista ou ortodoxo, confesso que a primeira resposta que me vem é dizer não! Mas com ressalvas! E explicações.
Reconheço que, de algum modo, todas estas palavras compartilham significados comuns, porém os detalhes semânticos e as conotações históricas que elas têm assumido ultimamente me fazem preterir um ou outro termo.
Já confessei que "Meu cristianismo não nasceu nesta geração!" e continuo entendendo da mesma maneira, porque é verdade.  Então, para deixar tudo mais claro, vou tentar expor algo sobre o tema.  Venha comigo.
Vamos começar citando a Bíblia – é a nossa regra de fé e prática.  E o texto que tomo como base é a ilustração das duas casas e dos dois fundamentos (no final do Sermão da Montanha em Mt 7).  Ali Jesus diz que ouvir e praticar seus ensinos é o fundamento para a proposta de vida que ele estava anunciando, e que hoje chamamos apropriadamente de vida cristã.
E, aprofundando mais, veja o que Paulo diz sobre o assunto: "Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo" (1Co 3:11).  Mais: na carta de Pedro eu posso ler sobre Jesus Cristo: "Pelo que também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido" (1Pe 2:6).
Então que fique definido: Jesus Cristo, sua vida, ensino, exemplo e palavras, é o fundamento da minha fé.  E nele permaneço.
Mas aí é que começa o problema! Ao longo da história tantos e quantos leram e interpretaram as páginas sagradas de tantas e quantas formas diferentes que parece até ingenuidade esse tipo de afirmação.
E para piorar, têm os exemplos deploráveis da nossa história que nos fazem corar de vergonha.  Em nome da fé, marchamos para Jerusalém deixando um rastro de sangue pelo caminho.  Condenamos mulheres ditas infiéis na fogueira.  Matamos camponeses alemães.  Desterramos peregrinos na América.  Convertemos negros e índios à força.  Perpetuamos animosidades nas ilhas britânicas.  Justificamos a barbárie nazista.  E isso sem falar nos cristãos de hoje que revestem de sua crença num verdadeiro ódio aos diferentes.  Então vou parar a lista por que o gosto indigesto de sangue já está incomodando.
Mas, quer saber de uma coisa? Permaneço firme no fundamento.  Sei que às vezes é difícil lidar com essas heranças malditas que enlameiam nossa construção histórica daquilo que temos chamado de cristandade. 
Então me vejo olhando para trás e me forçando a continuar construindo com humildade e confissão penitente.  Aquilo tudo foram paredes levantadas sem que o alicerce fosse respeitado.  Então, apenas peço perdão e sigo adiante.
É verdade que há um outro lado na história, e só para lembrar sem deixar o texto muito cansativo, vou passar a palavra a Ariosvaldo Ramos:

Nós sempre propugnamos pela liberdade.  Nós impusemos a Carta Magna ao Principe John, na Inglaterra; construímos o Estado Laico na revolução americana, quando, numa nação majoritariamente cristã, todas as confissões religiosas foram tidas como de direito.  Nós lutamos entre nós pelo fim da escravidão, seja na guerra da Secessão, seja por meio de Wilberforce, premier Inglês, e de tantos outros movimentos.  Nós denunciamos e enfrentamos os que entre nós quiseram fazer uso da nossa fé para legitimar a opressão.  Os maiores movimentos libertários nasceram em solo cristão, e mesmo quando renegavam ao que críamos, não havia como não reconhecer a nossa contribuição à emancipação humana.
Nós construímos uma sociedade de direitos, lutamos por e reconhecemos direitos civis, e não podemos abrir mão disso; não podemos abrir mão da civilização que ajudamos a construir e a solidificar, onde mulheres, homens e crianças são protegidos em sua integridade e garantidos em seus direitos.  Na democracia que ajudamos a reinventar, onde cada ser humano vale um voto, tudo pode e deve ser discutido segundo as regras da civilidade.

Retomando minha reflexão.

Sendo fiel ao fundamento: há verdades essenciais que herdamos junto com todos os cristãos – os latinos diziam: Cristus Dominus.  Há verdades que compartilhamos com irmãos reformados – ainda em latim, sola gratia.  Há ainda verdades que, como Batista me são caras – em bom português, o sacerdócio universal de todos os salvos.
Sei que cada um destes princípios fundamentais pode ser destrinchado e que eles compõem um quadro maior de crenças, mas com certeza, continuam estáveis no alicerce de minha vida e fé.
Assim, em resumo, mesmo envergonhado com manchas na história.  Não importa o que outros disseram ou fizeram: permaneço no fundamento – Jesus, autor e consumador de minha fé.


terça-feira, 2 de maio de 2017

A IMPORTÂNCIA DA ESCOLA DOMINICAL

A Escola Bíblica Dominical (EBD) é peça fundamental no contexto da Educação cristã. Quando pensamos na educação como mecanismo de formação e aperfeiçoamento do caráter cristão, temos, depois do lar cristão, na EBD a melhor opção, sendo esta a única ferramenta da igreja local, voltada especificamente para esta finalidade.
Apesar de seu caráter opcional para o crente, a EBD como instrumento de ensino da igreja, não pode ser opcional. A EBD não pode ser um simples apêndice ou anexo na estrutura da igreja. Ela precisa ser o elemento ministrador do ensino bíblico sistemático na igreja. E este ensino, apesar de seguir um padrão metodológico, não perde a sua essência que está subordinada a orientação do Espírito Santo, quando seus professores são também dependentes do Espírito.
Alguns anos passados, algumas de nossas igrejas tinham mais matriculados na EBD que membros da igreja, estas igrejas usavam a Escola Bíblica como instrumento de obediência da Grande Comissão (Mt 28:19-20), onde evangelização e ensino caminhavam juntos e produziam o crescimento consistente da igreja. Podemos afirmar sem qualquer dúvida que recebemos das gerações anteriores este instrumento inspirado por Deus para propagação de seu Reino, e se nossa geração não o abraçar, certamente seremos cobrados pelo legado que estamos negando às próximas gerações.
A EBD é a maior e principal agencia de ensino da Igreja, pois nenhuma outra oferece um programa de estudo da Bíblia que seja sistemático e que alcance cada faixa etária com um currículo e com metodologias próprias para cada segmento. Este estudo sistemático e contextualizado é fundamental na formação espiritual do cristão e cria raízes profundas na vida de cada crente, forjando o caráter cristão com os fundamentos da doutrina bíblica.
Assim sendo, convidamos a todos para se juntar nesta jornada de crescimento cristão que acontece dominicalmente nas nossas classes da EBD.
Venha estudar conosco na EBD e “só a eternidade poderá revelar” os benefícios para sua vida espiritual.

Jader Cervino Nogueira
Diretor da EBD da PIBA – Primeira Igreja Batista de Aracaju
(Extraído do Boletim da Igreja)

sexta-feira, 28 de abril de 2017

EU MATEI JESUS

Mesmo já tendo passado o momento das celebrações da Páscoa, volto a refletir sobre o tema da cruz.  O que me trouxe de volta hoje a ele foram as palavras do apóstolo Pedro em seu discurso na manhã do Pentecostes: "Este homem, vocês o mataram, pregando-o na cruz" (leia todo o discurso em At 2 – a citação é do verso 23).
A acusação é forte e desafiadora (mesmo tendo em vista a Ceia memorial)!  As palavras proferidas há cerca de dois mil anos ainda soam como uma sentença inapelável e de uma crua realidade: não foram os judeus, nem foram os romanos, eu matei Jesus! 
Com este peso na alma é que me volto às páginas sagradas para ser confrontado com a certeza de que sou um pecador.  Não somente por que sou herdeiro do pecado original (como disse Paulo em Rm 5:12), ou por que viva entre pecadores (como se sentiu Isaías em Is 6:5).  Sou pecador por que eu pequei contra os céus e contra Deus (veja a ênfase na primeira pessoa na confissão do filho pródigo em Lc 15:21).  É por isso que eu matei Jesus.  Foi meu pecado que o levou ao madeiro e por minhas culpas eternas foi sentenciado.
É claro que não posso deixar de falar sobre o amor de Cristo que escolheu assumir a minha culpa de sangue livrando-me da condenação.  Mas isso só torna mais relevante a minha sentença de que levei aquele santo à crucificação.
E tem mais.  O autor aos Hebreus me acusa mais ainda de que torno a cravar Jesus na cruz quando me enlameio e me envolvo em pecados.  Sou novamente réu cada vez que desprezo a graça e me entrego ao pecado sujeitando-o à vergonha pública pelas minhas faltas e pecados (leia com cuidado Hb 6:4-6).
Contudo, glória ao Senhor que a história não acaba com a acusação apostólica.  Embora o pecado tenha sido real e tenha efetivamente provocado o Gólgota, mas Deus com isso provou que seu amor é maior que minha culpa, livrando-me dela e resgatando-me da morte (veja o tamanho da graça em Rm 5:8-11).
Diante desta acusação que pesa sobre mim e a grata constatação de que, mesmo tendo abundado em pecado, superabundou a graça (expressão de Paulo em Rm 5:20), que devo fazer?  Leio na Bíblia duas respostas: a primeira vem do sábio que diz para assumir diante de Deus o pecado – confissão – e abandonar esta atitude – arrependimento (em Pv 28:13); e a segunda sobre glorificar a Deus porque, apesar do pecado, em todos as coisas somos mais que vencedores e isto somente por meio daquele que nos amou (em Rm 8:37).  Vivamos para sua glória!

(Publicação original em ibsolnascente.blospot.com em 16/04/2010.  A imagem lá em cima é óleo sobre madeira pintada pelo alemão Matthias Grunewald no século XVI e atualmente encontra-se Museu de Unterlinden – França)

terça-feira, 25 de abril de 2017

Conselhos bíblicos sobre adoração e culto – O CULTO DE NOÉ

Depois Noé construiu um altar dedicado ao Senhor e, tomando alguns animais e aves puros, ofereceu-os como holocausto, queimando-os sobre o altar.  O Senhor sentiu o aroma agradável e disse a si mesmo: “Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, pois o seu coração é inteiramente inclinado para o mal desde a infância.  E nunca mais destruirei todos os seres vivos como fiz desta vez”. 
(Gn 8.20-21)

Logo ao sair da arca, Noé construiu um altar para Deus e ali sacrificou em celebração e adoração.  Aquele homem entendeu que assim deve ser o culto.  E a partir da sua experiência podemos com certeza aplicar as lições em nossa adoração e em nosso culto.
# Estabeleça como prioridade em sua vida a adoração.  Antes de qualquer outro compromisso, volte-se para Deus e o cultue.  Sem esta atitude, nada mais fará sentido nem dará resultados.
# Em buscando um encontro pessoal com o Senhor, construa para ele um altar onde possa oferecer em holocausto uma adoração em sua vida.  Transforme cada nova circunstância em uma oportunidade de adoração.  Para isso é preciso que o altar esteja edificado.
# Observe que a adoração tem que chegar ao trono de Deus.  De nada vai adiantar um culto que siga determinados modelos, nem um altar exemplarmente construído se a fumaça não subir para Deus.  O Senhor tem que ser o objetivo de sua adoração.
# Lembre-se que Deus tem que ficar satisfeito com seu culto.  Isto é indispensável e só isso realmente importa.  Uma vida santa e pura dedicada no altar é o que agrada a Deus (lembre-se da lei divina que desafia a santidade em Lv 20:7 repetida em 1Pe 1:16).  Satisfaça o coração de Deus com o seu altar.
# Já que o Senhor é um Deus de alianças – e isso por sua livre vontade – louve e adore a ele por isso.
# Mantenha também a sua sensibilidade espiritual para perceber os sinais que o Senhor dá de sua ação e de seus pactos (leia Am 3:7).
# Tenha absoluta certeza de que somente na celebração feita ao Senhor diante de um altar santo é que você vai experimentar a dádiva da reconstrução de sua vida e de seu mundo.  Deus pode, quer e sempre age em favor dos seus, então o celebre em adoração e trabalhe com ele, pois ele faz tudo novo (anote a glória que está dita em Ap 21:5).


quinta-feira, 20 de abril de 2017

O CREDO APOSTÓLICO – versão em língua grega

είς ενα Θεόν, Πατέρα, παντοκράτορα, ποιητήν ουρανού καί γής, ορατών τε πάντων καί αοράτων. 
Καί είς ενα Κύριον, Ίησούν Χριστόν, τόν Υιόν του Θεού τόν μονογενή, τόν εκ του Πατρός γεννηθέντα πρό πάντων τών αιώνων.  Φώς εκ φωτός, Θεόν αληθινόν εκ Θεού αληθινού γεννηθέντα, ού ποιηθέντα, ομοούσιον τώ Πατρί, ού δι 'τά πάντα εγένετο.  Ημάς τούς ανθρώπους καί διά τήν ημετέραν σωτηρίαν κατελθόντα εκ τών ουρανών καί σαρκωθέντα εκ Πνεύματος 'Αγίου Τόν δι' καί Μαρίας τής Παρθένου καί ενανθρωπήσαντα.  Επί Ποντίου Πιλάτου καί παθόντα καί Σταυρωθέντα τε υπέρ ημών ταφέντα.  Καί αναστάντα τή τρίτη ημέρα κατά τάς Γραφάς.  Καί ανελθόντα είς τούς ουρανούς καί καθεζόμενον εκ δεξιών τού Πατρός.  Καί πάλιν ερχόμενον μετά δόξης κρίναι ζώντας καί νεκρούς, ού τής βασιλείας ουκ εσται τέλος. 
Καί είς τό Πνεύμα τό ¨ Αγιον, τό Κύριον, τό ζωοποιόν, τό εκ τού Πατρός εκπορευόμενον, τό σύν Πατρί καί Υιώ συμπροσκυνούμενον καί συνδοξαζόμενον, τό λαλήσαν διά τών Προφητών. 
Είς μίαν, αγίαν, καθολικήν καί αποστολικήν Έκκλησίαν.  'Ομολογώ εν βάπτισμα είς άφεσιν αμαρτιών.  Προσδοκώ ανάστασιν νεκρών.  Καί ζωήν τού μέλλοντος αιώνος.  Άμήν.


O CREDO APOSTÓLICO – versão em língua latina

in unum Deum, Patrem Omnipotentem, Factorem cæli et terræ, visibilium omnium et invisibilium. 
Et in unum dóminum Iesum Christum, Filium Dei unigenitum, et ex Patre natum ante omnia sæcula.  Deum de Deo, Lumen de Lúmine, Deum verum de Deo vero, genitum, non factum, consubstantialem Patri: per quem omnia facta sunt.  Qui propter nos homines et propter nostram salutem descendit de cælis.  Et incarnatus est de Spiritu Sancto ex Maria virgine, et homo factus est.  Crucifíxus etiam pro nobis sub Pontio Pilato; passus, et sepultus est, et resurrexit tertia die, secundum scripturas, et ascendit in cælum, sedet ad dexteram Patris.  Et iterum venturus est cum gloria, iudicare vivos et mortuos, cuius Regni non erit finis. 
Et in Spiritum Sanctum, Dominum et vivificantem: qui ex Patre Filioque procedit.  Qui cum Patre et Filio simul adoratur et conglorificatur: qui locutus est per prophetas. 
Et unam, sanctam, catholicam et apostolicam ecclesiam.  Confiteor unum baptisma in remissionem peccatorum.  Et exspecto resurrectionem mortuorum, et vitam ventúri sæculi.  Amen.

O CREDO APOSTÓLICO – versão em língua portuguesa

em um só Deus, Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis. 
Em um só Senhor: Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não feito; consubstancial com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas; que, por nós e por nossa salvação, desceu dos céus, e se encarnou, por obra do Espírito Santo, da virgem Maria, e se fez homem.  Foi também crucificado, sob o poder de Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado.  Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai.  Virá outra vez com glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu Reino não terá fim.
No Espírito Santo, o Senhor que dá vida, e procede do Pai e do Filho; que, com o Pai e o Filho, é juntamente adorado e glorificado; Ele, que falou pelos profetas. 
E na igreja una, santa, universal e apostólica.  Reconhecemos um só Batismo para remissão dos pecados.  E esperamos a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir.  Amém.

terça-feira, 18 de abril de 2017

COMO ENTENDER O CREDO?

Durante os primeiros séculos do cristianismo, as discussões sobre a figura de Jesus Cristo e as relações intra-trinitarianas se tornaram cruciais.  Somente com a declaração do Credo Apostólico o assunto foi dogmatizado.  Com base na análise feita por Julio Andrade Ferreira em sua Antologia Teológica, veja como entender o Credo a partir da interpretação dos seus diversos termos.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Mensagem da Páscoa - 2017

Na páscoa, nós, os seguidores de Cristo somos impulsionados a um profundo mistério, um mistério diante do qual nos maravilhamos.  Contemplamos este mistério que nutre nossa fé e enche nosso coração de assombro, amor e louvor.  Confessamos que está alem de nossa capacidade para explicá-lo plenamente em categorias racionais.  Porém nós damos testemunho dele com confiança e alegria, nós o celebramos como sagrada lembrança e o louvamos com gloriosa esperança.
Aquele que morreu no Calvário é a segunda Pessoa da Trindade.  É o Deus cuja auto-doação recordamos quando falamos da Cruz.  É o Eterno cuja cabeça está inclinada em amor sofredor na colina do Calvário.   Aquele que morreu no Calvário é Deus!
O Deus a quem servimos é o Eterno, que foi antes do tempo, vive no tempo e será quando o tempo já não exista mais.  Este é o Deus a quem os portais da morte não podem deter.  Ele que foi crucificado e logo posto em uma tumba emprestada não somente foi o criador e doador da vida, como também é a própria vida em si.
Ele que se identifica a si mesmo como "o caminho, a verdade e a vida", sopra o ar fresco de uma nova vida em nossa velha vida, guiando-nos a experimentar um novo nascimento.  O Senhor que é "a vida" comunica vida à nossa morte e traz alento de novidade onde os velhos costumes e as velhas prisões poderiam continuar entorpecendo ou imobilizando os viajantes na jornada da vida.
O Deus da Páscoa é o Pai que, em Jesus Cristo, abandonou o lugar preparado para os mortos, abriu o caminho da morte para a vida e, de uma vez para sempre, matou o monstro da própria morte.  É por isso que gritamos na vitória: "Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde, ó morte, teu aguilhão?" e declaramos "Mas graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (1Co 15:55-57).
Quando declaramos: "Cristo ressuscitou! Verdadeiramente ressuscitou!", contamos a história do mistério do Deus Trino que nos abre caminho através dos áridos desertos de nossos dias.  Deus atrai as pessoas ao seu Criador e Salvador e lhes confere o dom da vida abundante, que é tão poderosa que a morte não pode tirar.  Esta é a vida do futuro que se manifesta a si mesma no vai-e-vem de nossa existência cotidiana.
O Deus Trino ascende das maravilhas da colina do Calvário, entrega sua vida para que recebamos a vida e logo retoma a vida novamente para construir uma fortaleza de esperança na qual os seres humanos possam encontrar a confiança que o mundo não pode dar.
Quando celebramos a Páscoa, expressamos a certeza confiante de que o Cristo ressuscitado habita em nós mesmos quando vivemos em Cristo.  A nossa vida não é uma vida ordinária limitada entre os mistérios do nascimento e da morte.  Tão pouco é uma existência precária desprovida de alegria perpétua.  Na Páscoa, celebramos o dom da vida eterna que se faz possível através da morte e ressurreição do Filho de Deus! Aleluia!

Neville Callam
Secretario Geral – BWA
Abril 2017
Fonte: www.bwanet.org

terça-feira, 11 de abril de 2017

Conselhos bíblicos sobre adoração e culto – CAIM E ABEL

Passado algum tempo, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor.  Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do rebanho.  O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta, mas não aceitou Caim e sua oferta.  Por isso Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou.
(Gn 4.3-5)


Sabemos que a celebração e a adoração são elementos indispensáveis de todo culto e de toda busca ao Senhor que se constitua como um verdadeiro encontro aceitável com Deus.
Do oferecimento de Caim e Abel, lá tão próximos da origem de todos nós, podemos aprender lições importantes e trazer aplicações necessárias para que nosso culto e adoração hoje sejam dignos do verdadeiro Deus.
# Comece reafirmando que seu culto e sua adoração é o resultado de um espírito alegre e grato pelo que Deus tem feito em sua vida.  Daí transforme sempre seus momentos de culto em festa espiritual (vá ao Sl 103:1-2).  Nunca deixe sua adoração se transformar em algo pesado e triste.
# Tome a iniciativa de adorar.  Não espere que apenas alguém o chame.  Deus já tem feito tanto em sua vida e somente isso já é motivo para celebrar.
# Ofereça a Deus o melhor do seu trabalho, e o resultado dos seus mais nobres esforços.  Deus assim o requer.
# Tenha cuidado, pois antes de olhar para sua oferta e seu culto, o Senhor estará olhando para você e sua atitude.  Embora haja maneiras apropriadas de se celebrar ao Senhor – ele mesmo já prescreveu algumas delas – porém o mais importante é a atitude do adorador (lembre da parábola do fariseu e do publicano em Lc 18:9-14).
# Seja grato a Deus pela aceitação que ele lhe concede.  Mas se for o caso de seu pecado causar rejeição, não abandone o altar de adoração.  Confesse seu pecado e volte-se para Deus pois certamente ele o aceitará de volta (confie nas palavras de Pv 28:13).


sexta-feira, 7 de abril de 2017

ALGO SEMPRE MUDA

A Bíblia relata diversos encontros de homens com Deus.  E são destes encontros que nós humanos podemos conhecer um pouco de quem é Deus.  Ele se dá a conhecer – se revela.  Sem esse ato da sua exclusiva misericórdia e graça jamais sequer tatearíamos a imagem do divino.
Folheando as páginas sagradas, enquanto observo os diversos e sucessivos encontros do Criador com suas criaturas, é fácil perceber que também sempre o ser humano é tocado, atingido, mudado nestes encontros.  Algo sempre muda.
Quer constatar isso? Acompanhe as transformações que relacionei:
=> Jacó subiu o vale de Jaboque mancando – Gn 32:31
=> Moisés desceu do Monte Sinai com o rosto brilhando – Ex 34:35
=> Os lábios de Isaías foram queimados – Is 6:6
=> Uma mulher sentiu estancar seu fluxo de sangue – Mt 9:22
=> O jovem rico saiu cabisbaixo – Mc 10:22
=> Na entrada de Jericó, o cego começou a enxergar – Lc 18:43
=> Saulo caiu sem enxergar – At 9:8
E por aí vai...
Eu vou concordar com você que cada um destes encontros listados, sem detalhes, está envolto em circunstâncias diferentes, causas e motivos distintos, modus operandi peculiares e, principalmente, consequências e desdobramentos particulares.
Mas você tem que concordar comigo também.  O estar na presença divina, sagrada e gloriosa, é demais para qualquer mulher ou homem.  Não há como resistir.  Não é possível estar na presença augusta e de lá sair do mesmo jeito.  Deus sempre muda algo em nós.  A alma é atingida e o corpo é tocado.
É gostoso demais desfrutar da intimidade com o Senhor! Mas, como resistir ao peso de sua glória? 
Verdade também é que algumas vezes a presença de Deus se mostra suave como uma brisa (Elias assim percebeu – 1Rs 19:12); outras, ruidosa (como foi no dia de Pentecostes – At 2:2).  Mas toda vez que a percebemos e experimentamos, ela mexe, futuca, cutuca, muda.  E faz de nós diferentes: Outro homem.  Outra mulher.
Agora, posso lhe garantir que se deixar levar pela presença transformadora do encontro com Cristo vale muito a pena!
E então? Está disposto ao encontro com Deus? Quer ver o que ele vai mudar?

(Na imagem lá em cima, o quadro "Conversione di San Paolo" do italiano Caravaggio pintado no início do século XVII)

terça-feira, 4 de abril de 2017

Conselhos bíblicos sobre adoração e culto – O PRIMEIRO CASAL

Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim.
(Gn 3:8)


O culto que prestamos ao Senhor e a adoração que lhe rendemos deve ser para nós em primeiro lugar um momento e um lugar onde temos um encontro marcado com Deus.  Ali ouviremos a sua voz, e ali Deus se fará percebido e, mesmo que a consciência de pecado nos assuste, saberemos que toda a nossa existência só fará sentido neste encontro.
Deus nos criou para vivermos num jardim de delícias e somente quando nos encontramos com ele mesmo é que experimentaremos deste jardim! Nesta perspectiva:
# Mantenha uma regularidade em sua adoração e seu culto.  Embora seja eterno e onipresente, Deus se faz perceber no lugar e tempo da adoração.  Nisto a sua igreja deve ser a referência segura para seu culto.
# Dê atenção aos sinais que Deus lhe dá para sua presença sagrada.  Ao se habituar com estes encontros, você saberá identificá-los com clareza.  Isso fará seu culto fruir com mais naturalidade.
# Mesmo que eventualmente o pecado tenha lhe alcançado; nunca se esconda de Deus.  Embora possa parecer uma tendência natural, esta atitude de fuga só irá aumentar o vazio da alma.  Deixe-se ser envolvido pela presença divina pois é exatamente neste encontro que suas feridas serão curadas.
# E que nada nem ninguém faça você abandonar ou não priorizar em sua agenda o encontro com Deus (lembre Mt 6:33).

sexta-feira, 31 de março de 2017

PELAS SUAS FERIDAS

Devemos sempre trazer em nossa memória o texto profético de Isaías 53 que apresenta com maestria o tema do Servo Sofredor.  Não apenas por curiosidade ou referência teórica.  Mas por que provavelmente não exista em todo o AT um outro texto tão magnífico e cheio de poesia sobre a dor e o sofrimento do Ungido de Deus e de como, do sofrimento dele, o Senhor pôde produzir salvação e bênçãos para o seu povo.
Gosto de tomar como centro da profecia o verso cinco.  E aqui vai me chamar à atenção o final deste: ... e pelas suas feridas fomos curados.  Um bom resumo para o que é estampado pelo profeta.  Convido, pois, a se aprofundar um pouco mais na sentença para perceber o quanto o Senhor tem a nos dizer e prometer nestas palavras.
Acompanhando a interpretação que Pedro faz da profecia, sei que Isaías se refere a Jesus na cruz (confira em 1Pe 2:24).  O Servo Sofredor é Cristo no madeiro.  Ou seja, foi na cruz que se cumpriram os versos desta profecia; lá no seu sacrifício, Cristo Jesus tomou sobre si as minhas enfermidades (leia o verso quatro).  Estou entendendo que Deus não somente tomou conhecimento que meu corpo, por causa do pecado, está doente e sofre com dores físicas; Deus levou – carregou – sobre si, como resultado de castigo, as doenças que me afligem a carne.  Certamente minhas moléstias estiveram cravadas no madeiro maldito.
E o maravilhoso verso cinco completa que não somente sobre seu corpo estava minha dor, mas efetivamente no seu sacrifício houve cura para meus males: fomos curados!  Sabe o que isso realmente significa?  Todas as doenças, grandes ou pequenas, graves ou agudas que possam me afligir já foram alcançadas pelo poder que provém da cruz.
Mas me acompanhe mais um pouco.  Se é verdade que minhas dores já estão cravadas na cruz, então porque ainda doi tanto?  Segundo a Bíblia, posso reconhecer duas respostas que se completam.  Paulo aos Coríntios diz que a tribulação – dor – de agora é momentânea e eu devo passar por ela na certeza que está produzindo em mim uma glória eterna (veja 2Co 4:17).  Isto não é negar uma realidade incômoda, é pela fé viver a esperança, apesar das circunstâncias (confira também Rm 8:18).
Vivo hoje o provisório, e neste momento ainda estou sujeito ao corpo desta morte (palavras de Rm 7:24).  Porém a grande certeza e glória da profecia é que nenhuma de suas palavras deixa de se cumprir.  Aí eu devo apontar minha leitura a Revelação final.  João ouviu lá da eternidade uma voz forte que exclamou: Ele enxugará de seus olhos toda lágrima (em Ap 21:4).  Isto são palavras bíblicas e, portanto verdadeiras (ainda Ap 22:6).
Cristo levou sobre si as minhas doenças, isto é promessa que começou a se cumprir no Calvário e para a glória de Deus poderei experimentar a cura completa e gloriosa quando chegar o grande dia, e disso eu não vou me esquecer jamais: pelas suas feridas fomos curados.  Aleluia!

(Extraído do sítio ibsolnascente.blogspot.com em 13/08/2010)