sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

JABULANI

Passada uma semana da tragédia que vitimou mais de setenta pessoas ligadas à Associação Chapecoense de Futebol – e a comoção que se seguiu – e para que também a dor não caia na vala comum do esquecimento; quero publicar aqui este texto que escrevi em junho de 2010, no ensejo da Copa do Mundo de Futebol ocorrida naquele ano na África do Sul.  Com ele eu me solidarizo com os que choram (Rm 12:15), acreditando porém que relembrar motivos de celebração pode ajudar neste momento de perda e dor; orando ainda para o Senhor confortar os corações enlutados.


Para a turma do futebol, começa hoje a Copa do Mundo.  Serão mais de sessenta jogos, transmitidos pela TV, com direito a cobertura jornalística completa, Internet, twitter e outro tanto volume de informações. 
Antes, contudo que a bola começasse a rolar, o assunto que ocupou estes noticiários foi a própria bola em si.  Criada pela patrocinadora da Copa, a bola oficial gerou polêmica pelo seu formato e comportamento.  Para alguns atletas a novidade é interessante, mas para muitos só merece críticas.
Apelidada de Jabulani, a bola da Copa possui 11 cores diferentes.  O nome da bola significa "celebrar", esta é uma palavra da língua Bantu Zulu, um dos 11 idiomas oficiais da África do Sul.
E é neste ponto que quero refletir aqui.  Mais que uma guerra – apesar de alguns quererem ser guerreiros – ou que uma oportunidade de afirmação nacional – e sei que vão querer tirar proveito disso – a Copa se propõe a ser um evento de celebração – embora também saiba que no fundo hoje é mais uma grande promoção comercial e econômica.
Jabulani – celebrar – me faz pensar no tão conhecido Salmo 100.  Este sim, é celebração de verdade.  Veja o que ele diz sobre celebração.
Celebrai com júbilo ao Senhor,
todas a terras.
O verdadeiro espírito de celebração é devido somente ao Senhor – e na sua presença há plenitude de alegria (veja também o Sl 16:11).  O júbilo (alegria festiva e esfuziante) é a maneira própria do servo do Senhor manifestar sua aclamação na presença de Deus.  E isto é devido por todos os habitantes da terra (o Sl 150 fala em todo ser que respira).
O verso dois acrescenta o que deve seguir à celebração verdadeira: servi ao Senhor com alegria.  A celebração do servo do Senhor é sempre acompanhada de um espírito de serviço ao Senhor.  Os cânticos devem gerar em mim – o adorador celebrante – uma atitude de submissão e serviço ao Senhor, pois quem celebra e adora, serve e obedece (veja o grande mandamento em Mt 22:37-38).
Sabei que o Senhor é Deus (verso três).  Celebro ao Senhor e isto me leva a conhecê-lo muito mais.  Sendo o inverso também verdade: à medida que o conheço e o celebro por seu grandes feitos, faço crescer dentro de minha alma do desejo por conhecê-lo mais ainda (como gosto de Os 6:3!).
E prossegue o Salmo: quem celebra ao Senhor e o serve também é levado a buscar a sua presença, a entrar por suas portas com gratidão.  Celebração verdadeira que me faz aclamar sua glória, também me atrai para o interior de sua casa, da sala sagrada do seu trono.  É o lugar perfeito para se celebrar (é por isso que o Sl 122:1 fala em alegria por ser chamado à Casa do Senhor).
Agora a celebração chega ao seu ponto mais alto:
Pois o Senhor é bom
e o seu amor leal é eterno;
a sua fidelidade permanece
por todas as gerações.
Esta é a Jabulani de verdade.  Nada contra a bola ou a Copa (na medida do possível vou até assistir alguns jogos); mas celebração é com o Salmo 100.  Que ele seja o nosso lema.


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Os Grandes Princípios Batistas – O SACERDÓCIO UNIVERSAL DE TODOS OS SALVOS

Desde o início, os batistas partilharam com os vários grupos insatisfeitos com o protestantismo e com os separatistas, os insatisfeitos da Igreja da Inglaterra, a rejeição de um clero.  Isto é o que se chama “a doutrina do sacerdócio universal de todos os salvos”.  Num certo sentido, não temos sacerdotes entre nós.  Isto no sentido de alguém com mais acesso a Deus do que os demais.  Noutro sentido, todos somos sacerdotes porque todos temos acesso a Deus, sem necessidade um mediador humano.
O pastor não é um sacerdote.  Sua oração vale tanto, aos olhos de Deus, como a oração do zelador da igreja, desde que este seja crente.  A oração do crente é ouvida por causa da graça de Deus, da mediação de Jesus e da intercessão que o Espírito faz por nós, junto à Trindade.  A identidade batista é fortemente marcada por esta concepção teológica: o sacerdócio universal de todos os salvos, em conseqüência do livre acesso que todos nós temos à presença divina.
No entanto, esta doutrina tão valiosa está sendo diluída em nosso meio.  Isto sucede por causa do entendimento de que temos um clero e um laicato.  Todos nós somos ministros, pois todos somos servos.  E todos somos leigos, porque todos somos povo (é este o sentido da palavra “leigo”, alguém do povo).  Não temos clero nem laicato, como batistas.  Somos todos ministros e somos, todos, povo.  Mas isto tem sido esquecido, porque, cada vez mais, a igreja mergulha no Antigo Testamento e não no Novo.  Usamos os termos do Novo com a conotação do Antigo.  Muita gente prega o Antigo Testamento sem analisá-lo pelo Novo Testamento.  Assim, o pastor do Novo Testamento passa a ter a conotação do sacerdote do Antigo Testamento.  É o “ungido”, o detentor de relação especial com Deus que os outros não têm.  Só ele pode realizar certos atos litúrgicos, como se fosse o sacerdote do Antigo Testamento.  Por exemplo, batismo e ceia só podem ser celebrados por ele.  Assumimos isto, mas não é uma exigência bíblica.  Convencionamos isto.
No meio carismático isto é mais forte.  Os pastores tornam a igreja dependente deles.  Só eles têm a oração poderosa, a corrente de libertação só pode ser feita por eles e na igreja, só eles quebram as maldições, etc.  O sentido teológico do sacerdote hebreu permeia o sentido teológico do pastor neotestamentário.  Isto convém ao pastor neopentecostal.  Ele se torna um homem acima dos outros, incontestável, líder que deve ser acatado.  Tem uma autoridade espiritual que os outros não têm.  Ele tem uma linha vermelha com Deus.  Ora, se há algo que aprendemos sobre a liderança nos dois Testamentos, é que o Antigo elitiza a liderança e o Novo a democratiza.  Para o neopentecostal, o Novo Testamento, a mensagem da graça e a eclesiologia simples, despida de objetos, palavras e gestual sagrados não são interessantes.  Assim, ele se refugia no Antigo Testamento.  Por isso há igrejas evangélicas com castiçais de sete braços e estrelas de Davi no lugar da cruz.  Outras desfraldam a bandeira de Israel (e omitem a brasileira), guardam festas judaicas, e têm incensários em seus salões de cultos.  Há evangélicos que parecem frustrados por não serem judeus.  A liturgia pomposa do judaísmo é mais atraente e permite mais manobra ao líder que se põe acima dos outros.  E com isso, os membros da igreja são os ajudantes do obreiro.
Em Portugal, um diácono, conversando comigo, queixou-se da mentalidade católica infiltrada nas igrejas batistas.  O pastor era um sacerdote e os diáconos, seus coroinhas.  No meio neopentecostal, parece que o pastor é um executivo espiritual e os membros, os pagadores de contas.  Lutero tentou apagar o conceito católico de que a Igreja era a liderança, o clero.  Para ele, igreja era o povo e não a instituição, representado por seu clero.  Ele não gostava da palavra kirche para igreja, porque enfatizava a instituição.  Preferia gemeinde, que dá a idéia de comunidade.  Ele queria a ênfase no povo.  O povo é a igreja e o povo é sacerdote.  Não há pessoas credenciadas para terem mais acesso a Deus, em detrimento de outras.  Não há sangue azul espiritual nem uma plebe espiritual.  Deus trata seus filhos por igual, por causa da pessoa de Jesus Cristo
Tudo isto pode ser resumido no expediente de um boletim de uma igreja batista dos Estados Unidos.  Lá constava: “Ministros da Igreja: todos os crentes.  Auxiliar dos ministros: o Pastor da Igreja”.  Deus não deu a tarefa de fazer a obra aos pastores, a não ser a tarefa de serem pastores.  A tarefa de fazer a obra foi dada à Igreja como um todo.  E o Espírito foi dado a todos e não apenas aos pastores.

Extraído de uma palestra preparada pelo Pr.  Isaltino Gomes Coelho Filho (1948-2013) para um congresso doutrinário em Altamira, Pará, novembro de 2009.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

NO TEMPO E NO LUGAR DE DEUS

 Calem-se diante do Soberano, o Senhor,
pois o dia do Senhor está próximo.
O Senhor preparou um sacrifício;
 consagrou seus convidados.
(Sf 1:7)
Visando a nossa reflexão prática sobre como proceder e se comportar na adoração ao nosso Deus, dois pontos precisam ser observados aqui: tempo e lugar.  Como seres humanos que somos, estamos inseparavelmente submetidos às limitações do espaço e do tempo, por isso devemos considerá-lo quando vamos até a presença de Deus para cultuá-lo.
No livro de Gênesis nós lemos que "abençoou Deus o sétimo dia e o santificou" (2:3).  Este princípio vai ser repetido no quarto mandamento que nos instrui a santificarmos o sétimo dia ao Senhor (Êx 20:8).  Com isso Deus está requerendo para si um tempo determinado – santificado – que não poderá ser contaminado com qualquer outro propósito: o dia do Senhor é questão de prioridade para o servo de Deus.  Os cristãos guardam o domingo em memória da obra salvífica e vitoriosa de Cristo na ressurreição; e este tempo tem que ser sempre observado como um tempo de temor e dedicação, consagração e submissão a Jesus.  Este é o tempo que Deus reservou para si e não podemos ocupá-lo com nada além da adoração.  Pensando ainda nisto, devemos reafirmar o nosso compromisso de estar sempre e pontualmente na presença de Deus para adorá-lo.
Diante do templo Jesus afirmou: "A minha casa será chamada casa de oração" (Mt 21:13).  Com isto Jesus reconhece que Deus tem reservado para si um lugar especial onde haverá sempre de se revelar de maneira especial e onde os seus fieis se dedicarão à prática prioritária da oração.  O lugar do crente se somar na busca do eterno Deus é o santuário – lugar destinado à adoração.  E podemos ir além usando as palavras de Hebreus: "Não deixemos de reunir-nos como igreja" (10:25).  A Bíblia nos instrui a não abandonar, mas nos ligar ao local onde Deus há de falar e ouvir o seu povo em adoração.
No tempo e no lugar de Deus nos unamos em adoração.

(do livro "No Baú da Adoração" publicado em 2004)

terça-feira, 29 de novembro de 2016

UNS AOS OUTROS

Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. 
Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios.
(Rm 12:10)

A expressão uns aos outros (em grego: ἀλλήλων – 'allelon') é um pronome recíproco plural que, no NT grego, aparece 24 vezes somente nas cartas paulinas.  Para ajudar na compreensão do significado e da força do termo original, veja aí um resumo das instruções apostólicas:

Interdições:
# Julgar – Rm 14:13
# Devorar – Gl 5:15
# Invejar – Gl 5:26
# Mentir – Cl 3:9
Instruções:
# Amar – Rm 12:10 / 1Ts 4:9
# Receber – Rm 15:7
# Servir – Gl 5:13
# Suportar – Ef 4:2 / Ef 5:21 / Cl 3:13
# Perdoar – Ef 4:32 / Cl 3:13
# Consolar – 1Ts 4:18
# Admoestar – Rm 15:14 / Cl 3:16 / 1Ts 5:11
# Saudar com ósculo – Rm 16:16 / 1Co 16:20 / 2Co 13:12

* E só pela curiosidade.  A palavra em português paralelo – igual em espanhol: paralelo; em italiano: parallelo; em francês: parallèle; e até em inglês, holandês e alemão: parallel – todas derivam desta expressão grega: παρά + ἀλλήλων, cuja tradução livre seria: um ao lado do outro.  Ah! Sim! Antes que me esqueça, em grego moderno a expressão é παράλληλο.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

CONHECE-TE A TI MESMO

Ao abordar o tema da Ceia do Senhor, sua doutrina e prática, o apóstolo Paulo incluiu a seguinte instrução: Examine-se cada um a si mesmo (a instrução completa está em 1Co 11:17-34 e especificamente o verso 28).
Ao trazer este tema para o contexto da celebração cristã, Paulo estava dizendo compreender que embora a Ceia seja um momento essencialmente gregário, daí ser comunhão e requerer comunidade, ela, como toda a celebração, adoração e culto público pressupõe que antes deve haver a experiência do quarto fechado (é como se dissesse que o convite do Sl 34:3 só acontecerá depois de cumprido Mt 6:6).  Assim, hoje, quando trago os elementos para a Mesa do Senhor na comunhão da igreja devo primeiramente já ter comungado como Pai que vê em secreto.  E o que isso quer me dizer?
Inicialmente que toda relação com Deus é individualizada em sua origem.  Embora o próprio Jesus tenha pregado às multidões e tenha reunido uma igreja, seu convite ao relacionamento é unitário (nos evangelhos sinóticos temos o desafio da cruz individual – Mt 16:24; Mc 8:34 e Lc 9:23).
Posso acrescentar a ilustração do novo nascimento dita a Nicodemos (em Jo 3:3) como algo extremamente individual; bem como a argumentação profética sobre a responsabilidade pessoal (em Ez 18).
Na Ceia do Senhor sou confrontado individualmente com o crucificado e meu relacionamento com ele é profundamente avaliado.  Como Deus fez com Adão (lembre Gn 3:8-9); minha história, meus compromissos e prioridades, minha fé, tudo o que tenho e sou deve ser pesado diante da cruz para que então, e só então, eu possa comer dignamente da Ceia.
Mas é aqui que detecto o problema: assim como Paulo confessou aos Romanos, embora conheça e deseje fazer o bem, o mal insiste em me rodear (leia Rm 7:18-25).  Na Ceia reconheço-me miserável pecador e por isso mesmo suplicante e carente da graça que vem de Jesus e que me livra do corpo sujeito à morte.
Assim, diante do que percebo após o auto-exame, só me resta uma única alternativa: fazer minha a oração do salmista:
Sonda-me, ó Deus;
e conhece o meu coração;
prova-me, e conhece as minhas inquietações.
Vê se em minha conduta algo te ofende,
e dirige-me pelo caminho eterno.
(Sl 139:23-24)
Comamos e bebamos na Mesa do Senhor com esta oração no coração e uma canção nos lábios, para sua glória.

(Publicado inicialmente em 13 de novembro de 2009 no sítio ibsolnascente.blogspot.com)

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Os Grandes Princípios Batistas – BATISMO E CEIA COMO ORDENANÇAS E NÃO COMO SACRAMENTOS

Sacramento é o ato religioso que santifica ou confere graça a quem o recebe.  Ordenança é o reconhecimento de quem uma determinada ordem foi atribuída a alguém.  Há uma diferença muito grande entre os dois.  A idéia do batismo e da ceia do Senhor como sacramentos data do quarto século.  E veio um desdobramento: por serem ritos mágicos, eles necessitam de uma classe especial de pessoas.  Por isso, com o sacramento veio logo o surgimento de um clero.  Para a Igreja Católica, os sacramentos são sete: batismo, confirmação, eucaristia, penitência, extrema-unção, ordem e matrimônio.  São elementos que conferem graças.
Os batistas entendem que Jesus deixou duas celebrações que as igrejas devem observar: o batismo e a ceia.  Não transmitem graça, mas são atos de celebração da fé.  O batismo celebra e testemunha nossa conversão a Cristo e proclama a disposição de uma vida com ele.  A ceia celebra a morte vicária de Cristo e anuncia sua volta.  Alguns outros pequenos grupos batistas adotam, ainda o lava-pés.  Mas são poucos.
Já falei um pouco sobre batismo.  Abordamo-lo aqui apenas pelo ângulo de não ser um sacramento.  Falo, então, da ceia.  A postura católica é a da transubstanciação: o pão e o vinho se transformam no corpo e no sangue de Cristo.  Isso se dá quando do ofertório, na missa, quando o padre oferece os elementos a Deus.  Eles são transformados.  Por isso, não chame o momento de dízimos e ofertas de “ofertório”.  A menos que haja lá algum padre que esteja transformando os elementos no corpo e sangue de Cristo.  Os batistas não têm “ofertório”.  Têm “devolução dos dízimos”.  “Devolução” porque dízimo não se paga nem se dá.  Devolve-se.  Não é nosso, é de Deus e veio à nossa mão por algum momento.
Lutero adotou a consubstanciação: o pão e o vinho não se transformam no corpo e sangue de Cristo, mas Cristo está com a substância.  Zuínglio defendia a presença espiritual de Cristo quando da celebração da ceia.  Os batistas não aceitam nenhuma destas posições.  Entendem ser um memorial.  Baseam-se nas palavras de Jesus: “fazei isto em memória de mim”.  Batismo e ceia não conferem graças, mas testemunham de nossa fé.  Por isso que não chamamos a ceia de “santa ceia”.  Não chamamos o batismo de “santo batismo”.  O valor da cerimônia não está na sua possível santidade, mas no seu sentido.
É preciso reafirmar nossa posição anti-sacramentalista, porque vemos hoje o regresso desta prática, metamorfoseada pelo neopentecostalismo, no meio das igrejas evangélicas.  O cenário evangélico atual apresenta um cenário com elementos mágicos e sagrados presentes.  Há igrejas distribuindo sal do mar Morto para “abrir caminho”, azeite que teria vindo do monte das Oliveiras sendo usado para ungir as pessoas (há alguma usina de beneficiamento de azeitonas lá?) e até crucifixos feitos da cruz de Jesus (pastores evangélicos, sim!).  Generaliza-se a prática de beber água de um copo devidamente benzido pela oração do pastor, tão supersticiosa como a água benta do padre.  Uma pessoa alegou que se sentiu bem depois de beber daquela água.  É a figura sacramental: o sentimentalismo e a sensação ocupam o lugar da Bíblia.  Há um fetichismo em nosso meio: terra santa, areia santa, água santa, sal santo, folha de oliveira santa, etc.  No cristianismo as pessoas são santas, e não as coisas.  No cristianismo não há lugares e objetos santos.
Considerar objetos como sagrados leva a santificá-los.  Aí surgem duas irmãs gêmeas: a idolatria e a superstição.  Por isso reafirmemos: não temos sacramentos e repudiamos a espiritualização de símbolos e de gestos.  O transmissor de graça é o Espírito Santo.  Ele habita em nós, se somos convertidos.  Se alguém não é, pode se afogar nas águas do Jordão, ficar com barriga d’água de tanto beber água ungida pela oração do pastor, que isso não adiantará nada.  A fé deve ser posta em Deus e não em coisas nem em gestos nem em ritos.  Um batista que preze sua identidade não se envolverá com o fetichismo neo-sacramentalismo pentecostal.

Extraído de uma palestra preparada pelo Pr.  Isaltino Gomes Coelho Filho (1948-2013) para um congresso doutrinário em Altamira, Pará, novembro de 2009.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

CULTUANDO COM TRAJES SANTOS

Quando convocares as tropas,
o teu povo se apresentará voluntariamente.
Trajando vestes santos, desde o romper da alvorada
os teus jovens virão como o orvalho.
(Sl 110:3)
O Sl 29:2 em nossa versão mais tradicional nos instrui: "Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome; adorai o Senhor vestidos de trajes santos".  Sem entrar nas questões teológicas ligadas a estes trajes santos, gostaríamos de comparar com o que Jesus disse: "Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus" (Mt 5:16).  Assim observamos que em ambos os textos o que pode nos chamar a atenção é o fato de que o tributo de adoração ao Senhor tem que ser revestido de caráter de santidade que aponte para a glória de Deus.  Ou seja: Todo o nosso comportamento – inclusive a roupa que colocamos para vir adorar – deve fazer de nós verdadeiros adoradores e levar as pessoas que conosco estão a se voltarem ao próprio Cristo em glorificação.
Mas devemos também partir para uma visão mais abrangente das colocações feitas pelo Mestre.  O que eu faço – as obras – durante as celebrações devem visar exclusivamente a glória de Deus, assim todo o estrelismo tem que ser descartado; toda carnalidade extirpada; todo mundanismo abolido.  Vale acrescentar que a tecnologia pode ser um aliado interessante na adoração, contudo: nem pode tomar o lugar do adorador, nem pode ser um fim em si mesma, nem deve servir para distrair a atenção de quem busca a Deus.
Em trajes e atitudes santos compareçamos diante de Deus para adorá-lo.

(do livro "No Baú da Adoração" publicado em 2004)