sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O CULTO COMO ENCONTRO COM CRISTO

Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles.
(Mt 18:20)
Regularmente a Igreja de Cristo se reúne para celebrar e cultuar a Deus e isto é feito no meio da coletividade cristã.  É na comunhão dos santos que este grupo se faz Igreja, e o faz reunido como um encontro sagrado: isto é o Culto – o encontro sagrado da igreja.
Jesus nos afirmou que onde se achassem dois ou três reunidos em seu nome, ele próprio estaria presente no meio (Mt 18:20).  Aqui está o grande encontro da celebração de nossos cultos: nós vamos a sua casa para nos encontramos com o Cristo.  Ele nos prometeu que estaria entre nós quando nos reuníssemos em seu nome.  Ora, sendo culto uma reunião de salvos que estão juntos em nome do Cristo, então o culto é o encontro com o Senhor da Igreja – Cristo está no nosso meio e nos reunimos para encontrarmos com ele.
Esta certeza leva-nos assim a conclusões: se o primordial encontro do culto é com Cristo, então tudo o mais é plenamente secundário.  Cada vez que entramos nesta casa para adorar, o fazemos com a certeza de que estamos vindo em busca do encontro mais sublime da existência humana – o encontro com o divino.  Também percebemos na grandeza deste encontro que devemos nos preparar adequadamente para ele – o que temos de melhor deve estar disponível para o encontro com o Mestre amado.
Culto é encontro, e encontro primordialmente com Cristo.  Para isto estamos aqui.  Façamos destes momentos a razão de ser de nossa existência, que o próprio Cristo presente na celebração nos abençoará.

(do livro "No Baú da Adoração" publicado em 2004)

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Os Grandes Princípios Batistas – A SUFICIÊNCIA DAS ESCRITURAS

A Declaração Doutrinária diz: “A Bíblia é a palavra de Deus em linguagem humana.  É o registro que Deus fez de si mesmo aos homens”.  Paremos aqui, que basta.  Isto mostra porque a consideramos suficiente para nos nortear religiosamente.  Não basta dizer que a Bíblia é a Palavra de Deus.  Todo grupo herético diz isso, mas estabelece suas normas com base na sua tradição ou mandamentos de fundadores ou líderes que tenham o poder.  A Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira é um documento que me soa bem e no qual me situo sem problemas.  Mas é um indicativo e não normativo.  Ele indica o que cremos e não é uma norma para nós.  Nossa normativa são as Escrituras e nenhum outro documento.  Ninguém deixará de ser batista por não aceitar a Declaração Doutrinária da CBB.  Há grupos batistas que não a aceitam.  Mas qualquer batista que negue a Bíblia como Palavra de Deus colocou em xeque seu caráter batista.
Seguimos o Sola Scriptura de Lutero.  Ele rejeitou que a Tradição e o Magistério da Igreja regessem a teologia da Igreja.  Isto nos serve.  Temos muito de tradição e de magistério como formadores de nossa teologia.  Por mais santo que seja um pastor, ele não pode ser a autoridade final para a igreja, e se discordar da Bíblia, ele está errado.  A Bíblia rege nossa doutrina e nossa prática.
Os batistas sempre nutriram profundo zelo pelas Escrituras.  Quando ela fala, nós falamos.  Quando ela cala, nós calamos.  Todo material que produzimos e toda postura eclesiológica devem ser avaliados por ela.  Não é se deu certo em algum lugar ou se está enchendo alguma igreja em algum lugar, ou se foi proferida por algum teólogo ou pastor consagrado ou famoso, mas se é bíblico.  Todas as heresias nasceram de pessoas espirituais e zelosas, e não de pessoas depravadas.  Delas se pode dizer o que Paulo disse dos judeus: “têm zelo por Deus, mas não com entendimento”.  O entendimento correto das Escrituras é fundamental para uma denominação sadia.  E o fato de ela ser suficiente é básico.

Extraído de uma palestra preparada pelo Pr.  Isaltino Gomes Coelho Filho (1948-2013) para um congresso doutrinário em Altamira, Pará, novembro de 2009.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Os Grandes Princípios Batistas – Introdução

A rigor, não temos um fundador da igreja batista, porque várias comunidades batistas começaram a pipocar na época do surgimento da primeira igreja batista no mundo.  Nossa origem histórica pode remontar ao pastor John Smith e ao advogado Thomas Helwys, mas eles não criaram nossos princípios e nossas doutrinas.  Há certa confusão dos primeiros batistas exatamente por causa de não termos uma origem numa pessoa, mas ao redor de princípios.  Os princípios já estavam lá e foram entendidos por várias pessoas, em vários grupos.  O que tornou difícil remontar a uma origem proclamada num lugar, dia e mês, embora consideremos a igreja fundada na Holanda, em 1609, como a primeira igreja batista.  Mas sabemos que há diferenças de interpretações, o que mostra não haver unanimidade, embora a maioria opte como optei.
Perguntemo-nos: o que direcionou os primeiros batistas? Por que eles surgiram? Vamos examinar os pontos principais balizadores dos batistas.  Eles são a linha por onde andaremos.  Examinado nosso passado histórico e nossa teologia, ouso apontar oito pontos principais, dentre vários.  São eles: a suficiência das Escrituras, a liberdade de opinião, o batismo consciente de crentes, a segurança eterna dos salvos, as ordenanças (batismo e ceia), o sacerdócio universal de todos os crentes, a igreja local com governo congregacional autônomo, a separação entre os poderes civil e religioso.
Temos estas características desde o início de nossa história, no século XVII.  Alguém dirá que estes pontos são genéricos e me cobrará mais especificidade.  Respondo que o ensino de Jesus e a Bíblia são genéricos, a tal ponto que grupos como Testemunhas de Jeová e Mórmons se dizem cristãos, embora, a rigor, não sejam.  Pelo menos, o primeiro, definitivamente, não é, por não crer na divindade de Jesus.  Nós é que particularizamos e criamos minúcias.  Algumas destas minúcias são necessárias, mas outras são culturais e não podem ser vistas como princípios teológicos universais dos batistas.  Temos doutrinas que partilhamos com outros grupos, até mesmo com a Igreja Católica, como o nascimento virginal de Jesus, sua perfeita humanidade e sua perfeita divindade, sua morte e ressurreição.  Mas estes princípios são nossas características maiores e deles derivam algumas posturas doutrinárias.  A observância ou não destes pontos é responsável por erros que aparecem com roupagem diferente em nosso tempo.  Eles se ampliam em outros aspectos.  Vamos considerá-los, portanto.

Extraído de uma palestra preparada pelo Pr.  Isaltino Gomes Coelho Filho (1948-2013) para um congresso doutrinário em Altamira, Pará, novembro de 2009.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

NO PRINCÍPIO – A PALAVRA

No princípio de tudo,
antes mesmo que o nada existisse.
Antes do big bang,
antes de qualquer partícula primordial,
antes do tempo e do primeiro momento,
só havia a Palavra.
Palavra eterna. Completa em si.
Semântica. Sublime.
Ela estava antes do tudo com Deus.
Diálogo perene. Companhia. Parceria.
Completude.
A Palavra é Deus.
Co-existente.
Onipotente.
Onipresente.
Onisciente.
Amorável.
Digna de toda adoração.
Lá no princípio do tudo,
tudo ela criou,
 pois sem ela nem o nada existiria.
Nela estava a vida,
sua essência e consistência.
Então a Palavra se fez gente,
carne como a nossa.
O Criador se esvaziou em criatura,
a eternidade baixou-se ao tempo,
porque queria viver entre nós,
do nosso jeito,
olhar o ocaso com nossos olhos,
sentir o suave ácido do damasco maduro,
chorar a perda de um amigo,
alimentar esperanças porvir,
sonhar acordado.
Então a Palavra se fez gente,
carne como a nossa,
e nós outros podemos contemplar,
vislumbrar,
a glória única vinda do Pai,
cheia de graça e de verdade.
E sendo carne, imerso em amor,
deu a todos os que crêem a dádiva
de se serem aceitos seus irmãos.
E assim fomos nós feitos filhos do Criador.


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Palavras latinas encontradas no NT grego

Encontramos no texto grego do Novo Testamento várias palavras de origem latina.  Roma era a grande potência militar e política da época e a força da cultura – com suas palavras também podem ser percebidas no texto bíblico.  Aqui apresento uma lista das palavras da língua latina que podemos encontrar no texto grego:


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

NO PRINCÍPIO – O SÉTIMO DIA

Tendo Deus terminado de criar todas as coisas:
as galáxias e os átomos,
os gigantes gasosos e a areia do mar,
os tempos e as eras,
a jubarte e o jabuti,
a mulher e o homem – suas imagens,
neste dia ele descansou.
Abençoou Deus o sétimo dia
e o santificou,
porque nele descansou de toda obra
que realizara na criação.
Santo é o descanso do obreiro,
sagrado o repouso do trabalhador.
Deus olhou e suspirou
satisfeito:
— Toda a minha grandiosidade e criatividade
estão espalhadas num DNA,
no rastro do cometa,
salpicado nas estrelas,
na gota de água,
na aurora boreal,
e no perfume do jasmim.
E nos deu a sua bênção
num sorriso da criança,
na chuva no sertão
e na prece que acalanta.
Dia separado de descanso e bênção,
dia para desfrutarmos de sua presença augusta,
dia de presente, dádiva, dom, graça.

Este é o dia que fez o Senhor;
regozijemo-nos,
e alegremo-nos nele.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Os 12 Profetas Menores

A lista dos Profetas Menores do Antigo Testamento consta de doze livros.  Vamos visualizá-los rapidamente um a um na ordem que aparecem em nossas Bíblias:
Oséias – O profeta Oséias desenvolveu o seu ministério na segunda metade do século VIII a.C.  Atuou no reino do norte e sua mensagem consistiu em ações simbólicas que conclamaram o povo de Israel a deixar a infidelidade para com Deus pois o juízo estava próximo.
Joel – Este profeta, deve ter exercido seu ministério por volta do século VIII no reino do norte e sua mensagem tinha por tema básico uma advertência sobre o juízo iminente de Deus.  São de Joel as palavras proféticas citadas por Pedro na pregação no dia de Pentecostes.
Amós – Profeta oriundo do reino do norte mas que exerceu seu ministério em Jerusalém.  De origem simples – era boiadeiro – pode ser considerado o primeiro entre os profetas clássicos de Israel (séc. IX a.C.).  Sua mensagem foi centrada na condenação da idolatria além de ter um forte apelo de consciência social para o povo, desafiando-o a abandonar a opressão aos pobres e a religião superficial. 
Obadias – O único livro do AT a ter apenas um capítulo, o livro de Obadias consiste de uma mensagem profética contra Edom e sua traição a Jerusalém.  O profeta Obadias viveu e exerceu seu ministério pouco antes da queda de Jerusalém no século VI a.C.
Jonas – Talvez o livro cuja história seja mais conhecida entre os profetas menores.  O homem Jonas deve ter vivido no século VII ou VIII a.C. e seu ministério consistiu de um chamado para pregar em Nínive, capital da Assíria.  O profeta inicialmente recusou o chamado, tentando fugir de Deus indo a Társis, porém em uma reviravolta na história ele chega à cidade e prega a mensagem provocando arrependimento em seus moradores.
Miquéias – Foi contemporâneo dos reis Jotão, Acaz e Ezequias em Judá, onde desenvolveu seu ministério – final do século VIII e início do VII.  O profeta convocou os sacerdotes e líderes nacionais a se apresentarem diante de Deus em arrependimento pois estavam próximos de serem julgados.  É neste livro que encontramos a profecia sobre o nascimento do Messias em Belém.
Naum – A data de seu ministério é incerta, talvez o século VII a.C.  O conteúdo central de sua mensagem foi um juízo de Deus contra a Assíria e a sua queda.
Habacuque – Este profeta viveu no século VII e testemunhou a decadência do reino de Judá.  Sua mensagem questionou a soberania de Deus diante dos desmandos morais e espirituais observados.  Mas, mesmo questionando, o profeta anunciou a queda de Judá sob as hostes babilônicas.  O livro conclui com uma oração que reafirma a certeza da esperança do profeta na ação soberana de Deus na história.
Sofonias – O contexto da profecia de Sofonias são as grandes reformas empreendidas pelo rei Josias no século VII a.C.  Vivendo neste tempo, o profeta deu suporte espiritual ao rei e legitimação a sua reforma insistindo no retorno do povo aos caminhos do Senhor antes da vinda do terrível dia do Senhor.  Também proferiu ameaças contra nações vizinhas e pregou a restauração da filha de Sião.
Ageu – O profeta Ageu viveu os dias de Esdras e Neemias e junto com o também profeta Zacarias e o sacerdote Zorobabel representaram a voz de Deus no processo de retorno do cativeiro e restauração da nação de Israel (séc. VI a.C.).  Ageu exortou o povo a reedificar o templo, repreendeu a infidelidade do povo, alertando-o a se purificar para um novo tempo de restauração dado por Deus e conclui confirmando Zorobabel como o escolhido do Senhor.
Zacarias – O livro da profecia de Zacarias pode ser dividido em duas partes.  A primeira deve ter sido escrita na mesma época de Ageu (cap. 1 a 8 – séc. VI a.C.) e se compõe de oito visões que, de maneira figurada, anunciam a nova situação moral e espiritual de Jerusalém com o segundo templo.  A segunda parte (cap. 9 a 14 – séc. V a.C.) é composto de discursos proféticos sobre as bênçãos que virão sobre a nova nação e sua liderança, dando ênfase à chegada do Messias vindouro.
Malaquias – Este é um livro anônimo entre os profetas do AT.  O termo que em nossas Bíblias nomeia este livro significa em hebraico meu mensageiro – conforme bem traduzido em 3:1.  Pelas lições e contexto a profecia deve ter sido pregada no final do século V, sendo assim o último dos profetas clássicos de Israel.  O propósito da profecia deste livro é confrontar o povo com seus pecados, sua adoração fingida e corrupção, além de restabelecer a comunhão com Deus.  O estilo do livro é a formulação de perguntas retóricas que o próprio profeta responde segundo a palavra de Deus.  É seguindo este estilo que o povo é conclamado a se manter fiel aos dízimos.