terça-feira, 19 de setembro de 2017

Conselhos bíblicos sobre adoração e culto – NA PROFECIA DE APOCALIPSE

 “Àquele que está assentado no trono, e ao Cordeiro sejam o louvor, a honra, a glória, e o poder, para todo o sempre!”
(Ap 5:13)


Apocalipse é o livro mais celebrativo e festivo de todo o NT por centrar-se na glorificação do Cordeiro que foi morto e venceu.  Especificamente de sua leitura podemos – e devemos – aprender e aplicar seus padrões aos nossos cultos hoje.
# Centralize sua vida na adoração a Cristo.  Faça de sua existência toda um culto ao Senhor (o Sl 34:1 fala em louvor contínuo).
# Lembre-se que adorar é o que se faz no paraíso – foi no Éden e será nos céus – então comece a praticá-la desde já (a adoração de eternidade a eternidade é citada no Sl 106:48).
# Isto é importantíssimo.  Faça parte do grupo dos santos que louvarão ao Senhor – aqueles que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro e foram comprados por este preço (o louvor dos justos está em Sl 140:13).
# Tenha cuidado com o direcionamento e sua adoração.  Deus exige exclusividade.  Louvor e culto só devem ser prestados a Cristo, e qualquer outra intenção é idolatria (veja com diz o salmista em Sl 16:2 e Sl 73:25).
# Inclua na sua adoração a celebração pelos atos poderosos de Deus na história e anuncie a todos o que ele tem feito (vários salmos abordam este tema, por exemplo: Sl 9:1; Sl 66:16; Sl 118:17 e Sl 145:6).
# Mantenha-se hoje e sempre ligado à comunhão dos santos – a igreja – e participe de sua adoração de maneira efetiva para que no final de tudo possa também participar do banquete eterno do Cordeiro (em Ap 19:17 e nos Sl 133:1 e 95:1).
# E acima de tudo, encontre-se com Cristo no culto em sua igreja, pois foi para isso que Deus lhe criou e você só será feliz e se sentirá completo (pleno) e realizado neste encontro de adoração (assim exulta o salmista no Sl 122).


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

CÂNTICO DE ROMAGEM

Na parte final do Livro dos Salmos, há quinze salmos chamados de Cânticos de Degraus, Cânticos de Peregrinação ou Cânticos de Romagem.  Eles eram entoados enquanto o povo se dirigia para o santuário e expressam tanto o sentimento como a preparação espiritual dos fiéis que estão indo adorar a Deus. 
Um deles – o de # 130 – retrata com simples profundidade o anseio do crente pelo encontro com o Senhor Deus.
O salmo parte das profundezas [da alma] de onde vem o clamor pelo Senhor: Escuta, Senhor... (v. 1).  É como se o salmista quisesse dizer que no fundo do seu ser o que realmente importa é estabelecer um contato com Deus. 
Enquanto se dirige à adoração, é preciso manter aberto o canal com o Mestre.  Eu diria: deixando as superficialidades da vida e buscando ao Senhor com a mais sincera de minhas intimidades.  Lá onde só Deus me conhece é que quero ser visto e ouvido pelo meu amado Senhor.
Mas este contato íntimo com Deus me põe a desnudo.  Na intimidade, Deus me vê por completo – estou completamente exposto.  E mais: é diante de Deus que eu me vejo quem realmente sou, e assim que constato que sou um pecador e que – embora necessite e deseje a companhia divina – não posso sobreviver na sua presença. 
Diante disto o salmista questiona: Quem subsistirá? (v. 3).  Mas sua confiança é inabalável, ele sabe que somente em Deus está o perdão para os que o temem (v. 4). 
E o desejo do encontro suplanta o temor da reprimenda.  Por isso ele não teme: espero pelo Senhor mais do que os sentinelas pela manhã (v. 6). 
Desta forma, este salmo de apenas oito versos declara o maior desejo de minha alma: antes de qualquer coisa nesta vida o que mais quero é a estar na presença sagrada.  Mais que qualquer segurança; melhor que qualquer esperança; mais que qualquer satisfação; o que eu realmente desejo é estar com o Senhor.
Que este seja o nosso canto enquanto nos dirigimos à Casa do Senhor para adorá-lo – reflexo de toda a nossa vida.  Aleluia.              


terça-feira, 12 de setembro de 2017

JESUS E O TEMPLO – uma análise de Marcos 13:3

Mais uma vez compartilho a resposta a um questionamento que me foi encaminhado.

Parei um pouco para buscar maior segurança quanto a questão.  Ela é bem mais interessante que a visão inicial poderia supor.  E vou confessar: enriqueceu minha exegese.

Colocando o problema –
No grego a frase é: ... κατέναντι τοῦ ἱεροῦ.  O termo em questão é a expressão que pode funcionar como advérbio ou como preposição – no caso: penso que preposição com genitivo.
De saída veja: o termo aparece apenas oito vezes no NT grego e outras mais de oitenta na LXX e é formado pela aglutinação das preposições: κατά (para) + ἔναντι (perante). 
Importante: neste contexto do Sermão profético, as citações paralelas dos sinóticos não usaram o termo.  Confira Mt 24:3 e Lc 21:5.  Então a solução tem que passar por outro caminho...

Colhendo a expressão no NT grego –
Uma boa citação é Lc 19:30 – ... τὴν κατέναντι κώμην.  Aqui a tradução direta e simples seria: ... ao povoado em frente.
Outras citações interessantes são Mt 21:2 – ... τὴν κατέναντι ὑμῶν... diante de vós; e 2Co 2:17 – ... κατέναντι Θεοῦ – ... na presença de Deus (também 2Co 12:19).

Passeando em outras traduções –
A Vulgata Latina é direta: ... contra templumcontra o templo.
Lutero em alemão preferiu: ... saß gegenüber dem Tempel – que estava contra o templo.
Em inglês, a King James diz: ... over against the temple – sobre (contra) o templo.
A tradicional Reina Valera em espanhol: ... delante del templo – diante do templo.
Já a italiana Riveduta:  ... dirimpetto al tempio – oposto ao templo.

Opções em português –
Almeida revista e atualizada (1995): ... defronte do templo.
NTLH (2000): ... olhando para o templo.
NVI (2000): ... de frente para o templo.

A que chegamos –
Depois destes palavreados todos, vamos tentar uma melhor uma tradução e mais coerente.  Entendo que Marcos apenas estava querendo apontar a posição geográfica (topográfica) de Jesus enquanto ensinava a seus discípulos sobre o princípio das dores em relação ao tempo profético que está diante de nós – como esteve diante de Pedro, Tiago, João e André quando o questionaram.
Jesus estava no cenário do templo de Jerusalém e, com certeza, aproveitou a descrição dos eventos que sucederiam àquele lugar sagrado para ensinar suas lições.  Profecia é sempre assim: parte de uma situação presente para anunciar o que Deus tem a fazer e dizer!
Talvez seja realmente um pouco forçado a tradução muito literal da expressão como oposição entre Jesus e o templo – embora reconheça que este gostinho teológico adoce a boca!. 

Acho que uma boa tradução seria –
Estando Jesus sentado no Monte das Oliveiras, tendo o templo por pano de fundo...
Defronte ou em frente respeita o fraseado original e não ofende o termo.  

Quanto a riqueza exegética –
Em relação à tradução e à lingüística talvez não precise ir muito além.  Mas esta simples expressão atiçou meu radar teológico-exegético.  É assim que faço!
Com certeza vai merecer maiores investimentos bíblicos e históricos uma reflexão sobre as entrelinhas da construção teológica dos sinóticos e como eles apontam a oposição entre os seguidores de Jesus e os seguidores do templo.  Quanta riqueza!!!


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

NASCENDO DO VENTO

Nas caladas e escuras horas da noite, Nicodemos, um dos principais líderes dos judeus, procurou Jesus para conversar sobre Deus: suas ações e intenções para com os homens (a história está narrado no capítulo três do Evangelho de João). 
O diálogo que dali se segue é bem sugestivo...  pode até parecer sem pé nem cabeça, mas... acompanhe comigo:
Jesus apresenta uma nova possibilidade de ponto de vista.  Uma maneira diferente de entender a vida, a existência e o mundo.   Sob esta ótica, quem comanda tudo na criação e no interior humano é o Espírito que, como um poderoso vento, sopra onde quer, e apenas é possível sentir as conseqüências de sua passagem. 
Achou pouco!? A conversa prossegue acrescentando outro viés: Nicodemos é então instado a compreender a sua relação com Deus na mesma dimensão que nascimento e vida – necessário vos é nascer de novo
E as idéias ganham amplitude.
A vida humana não é apenas física – concreta, palpável; também é espiritual – fluida, etérea.  Deus fez os homens e mulheres com corpo e com alma.  Ele nos dotou de neurônios e sonhos.  Somos ciência e poesia. Precisamos de oxigênio e de suspiros.  E tem que haver os dois nascimentos para que haja vida plena, como planejada pelo Criador.
Nicodemos teve dificuldade em captar: como voltar ao ventre da minha mãe?
Então Jesus esclarece com uma denúncia e uma proposta.  E parece que está gritando de maneira profética ao mundo que me cerca hoje!
O Mestre acusa a falência do projeto moderno de compreensão materialista da vida do ser humano.  Não somos somente matéria, somos também o espírito – o vento.  A vida é muito mais que o tempo e o momento do agora – vai além.  É mais que prosperidade e saúde ou felicidade – é sopro divino. 
A imanência é pouco, é parca – careço de transcendência!  Pois somos mais que isso: fomos feitos à imagem de Deus!  E é esta imagem que precisa nascer (ou nascer de novo nas palavras de Jesus).
No projeto apresentado por Jesus é preciso que a imagem de Deus no homem possa se fazer nascer de novo no seu interior, mostrando a cada um de nós que somos mais que matéria: somos reflexo divino embotado pela vida mas que deve ser restaurado – renascido.
Então, quando chega este Santo Vento Divino, ele nos toma e traz tudo de bom que Deus tem projetado para suas criaturas que tanto amou.  Este sim é novo nascimento: é vida nova que só Deus pode gerar em mim e em você.  E é exatamente o que Jesus propôs a Nicodemos – e para mim também.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crer não pereça mas tenha a vida eterna.

Creia.  Deixe soprar.  E que o Vento chegue e faça nascer de novo.  Para sua glória.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Conselhos bíblicos sobre adoração e culto – CELEBRANDO A CEIA DO SENHOR

Porque eu recebi do Senhor o que também lhes entreguei: Que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou pão e, tendo dado graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim”.  Da mesma forma, depois da ceia ele tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue; façam isto sempre que o beberem em memória de mim”.  Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste, vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha.
(1Co 11:23-26)


Hoje a nossa igreja deve continuar cultuando seguindo o modelo dos cristãos primitivos.  E certamente as instruções paulinas continuam sendo um bom modelo de adoração e culto a ser seguido.  A partir dele podemos aplicar as lições a nossa adoração hoje.
# Faça do culto em sua igreja a expressão da vida em comum que é a base de nossa fé (a oração sacerdotal de Cristo diz isso em Jo 17:21).  A intimidade e a comunhão com o Pai no quarto fechado citado em Mt 6:6 é um bom começo para a devoção; mas o culto em comunidade cristã é fundamental para uma vivência cristã sadia.
# Nunca permita que seu culto aconteça como um fim em si mesmo.  Ele tem que servir como instrumento para trazer à lembrança a pessoa e os atos de salvação de Cristo, bem como anunciar sua volta em glória (Rm 11:36 é mais que um jogo de palavras).
# Como na Ceia do Senhor, faça de cada culto um momento de dar graças a Deus em nome do Senhor por tudo que ele tem feito em sua vida (a instrução de Ef 5:20 é clara).
# Transforme seu culto e sua adoração numa ocasião de celebrar a Cristo pela nova aliança estabelecida através de seu sangue.  Cultue pelo perdão concedido e pelo Espírito derramado (veja Rm 5:5).
# Traga a esperança da volta de Cristo para o centro de sua adoração.  Lembre-se que se nossa fé estiver resumida a este tempo presente ela não é suficientemente cristã (veja a nota de 1Co 15:19).  Então sempre cultue na expectativa da volta do amado (assim será a adoração na eternidade conforme Ap 4:8).


sexta-feira, 1 de setembro de 2017

PARA FAZER MISSÕES

Sabemos que toda a igreja tem um chamado missionário. Esta é a convicção que nos faz ser o que somos. Nós nos reunimos a nos identificamos a partir daquilo que temos para fazer: adorar ao Rei e anunciá-lo a todo o mundo.
Tenho falado com frequência sobre a prática da adoração; mas hoje queria refletir um pouco sobre o que é preciso fazer para cumprir a segunda parte de nossa identidade eclesiástica, ou seja, o que é preciso para fazer missões. Vamos ao texto bíblico e vejamos três indicações.
Tudo deve começar com o olhar. É preciso levantar os olhos e ver que os campos estão no ponto de serem colhidos (esta é a ilustração que Jesus usa em Jo 4:35). O envolvimento da igreja com o trabalho missionário inicia quando ela consegue enxergar o mundo à sua volta e se percebe tocada por uma paixão missionária. O mundo clama por transformação – e nós temos a resposta que é Jesus – então é preciso que o percebamos e deixemos ser tocados pela necessidade evangelística; tanto dos que estão ao nosso redor, quanto dos que estão em outras terras.
Tendo percebido o mundo carente do evangelho é preciso então ouvir a voz do Senhor que nos chama e desafia a irmos anunciar a sua Palavra (no caso de Felipe um anjo lhe falou claramente para ir a busca do etíope em At 8:26). Deus tem falado e chamado a sua igreja para cumprir a sua missão. Não podemos tapar nossos ouvidos espirituais à vocação divina que está sobre nós e nos desafia.
E finalmente, é imperativo que se atenda o desafio de ir anunciar o Reino de Deus (o exemplo dos setenta comissionados por Jesus em Lc 10:1 deve ser modelo para nós). Se a necessidade do mundo perdido nos toca e ouvimos com clareza o chamado cristão para a missão então a atitude a se tomar é se comprometer com a obra missionária atendendo o desafio de ir aonde estão os perdidos para lhes anunciar as grandezas do amor de Deus e as boas novas de redenção.
Para fazer missões é preciso ter os olhos abertos para o mundo, os ouvidos atentos para a voz de Deus e também é indispensável que haja obediência em atender o seu desafio. Que o Senhor nos faça assim.

(Original: ibsolnascente.blogspot.com em 29/05/2009)

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Conselhos de um Psiquiatra para quem deseja ser pastor ou líder cristão

Já faz mais de dez anos que Deus tem me dado a oportunidade de atender líderes cristãos de diferentes denominações com níveis diversos de adoecimento emocional.
Nestes anos, pude ver atitudes, comportamentos e escolhas que ao meu ver são grandes gatilhos para um ministério frustrante, adoecido e com sequelas para líderes e seus familiares.
Neste ínterim, talvez de maneira pretensiosa, resolvi fazer uma lista de alguns conselhos, principalmente para os jovens (ainda não tão moldados), que hoje almejam o ministério como um chamado para suas vidas.
Já adianto que a lista é também para mim.

1) Mostrem suas fraquezas.  Com o tempo, aprendi a admirar os líderes inseguros, frustrados, sinceros, depressivos e cheios de dúvida.  Os mais perversos que atendi eram os com respostas prontas para tudo, com convicções inabaláveis, sempre “cheios de Deus” e com um ar de espiritualidade vazia que inibia um contato mais íntimo.  Usavam de uma espiritualidade afetada para esconder sérias doenças emocionais.  Tenham medo dos “muito crentes”, dos sempre “cheios de fé” e dos que frequentemente tem uma “revelação espiritual” na ponta da língua.

2) Avaliem quem está ao se redor.  Não se iludam, líderes cristãos vivem rodeados de pessoas para eventos sociais e eclesiásticos mas tem poucos amigos e confidentes.  Me assusta que as vezes é diante de um Psiquiatra que os líderes falam pela primeira vez de seus problemas e vicissitudes.  Estar rodeado de gente não é sinal de estar aprovado por Deus; lembrem-se que celebridades de diversas áreas tem seguidores (físicos e virtuais) mesmo que vivam uma vida fútil e cheia de frivolidades.  Tenham amigos com os quais você possa compartilhar suas dúvidas, angústias, imperfeições, tentações e compulsões mais íntimas, sem medo de ser julgado.

3) Não use o diabo como álibi.  Ele existe e é atuante, mas, normalmente somos tentados por nossas próprias concupiscências.  Você sempre será tentado a atribuir ao diabo responsabilidades e erros que são seus.  É tentador buscar soluções mágicas em inúmeras sessões de “batalha espiritual” e libertação, sem olhar para dentro de si e aceitar que há processos na alma que precisam ser tratados.  Nossos maiores “demônios” são nossas fantasias e fortalezas da mente, que necessitam de um longo prazo de luta e dedicação para serem “exorcizados”.

4) Cuidado com os números.  Números são frios e trazem ansiedade.  Não meça seu ministério pelo crescimento numérico e tampouco se angustie se ele não ocorrer.  Da mesma forma, não abra mão de suas convicções teológicas ou busque soluções de marketing eclesiástico para promover um crescimento artificial que só lhe trará sofrimento físico e emocional.  Vi muitos que em busca de um crescimento numérico a qualquer custo, longe de uma verdadeira intimidade com Deus, se tornaram frios, depressivos ou ditadores de comunidades regidas pelo medo.  Não se deprima com números aparentemente fracos, creia que se estiver fazendo o que Deus mandou ele dará uma comunidade saudável compatível com sua estrutura emocional e espiritual.  Há muita angústia envolvida em querer crescer um ministério a qualquer custo.

5) Se dedique a família.  Atendi vários líderes em que presenciei uma incongruência entre suas vidas nos púlpitos e dentro do lar.  O ministério saudável não pode produzir filhos e esposas machucadas e revoltados com Deus ou Igreja.  Conheço vários filhos de pastores e líderes que tem ataques de pânico se simplesmente passarem na porta de uma igreja.  São vítimas de pais “cristãos” que, com a desculpa de que estavam servindo a Deus, trocaram minutos preciosos de conversa, amizade, brincadeira e diversão com os filhos por reuniões ministeriais que normalmente não levam a nada.  Há esposas que chorando me dizem querer serem casadas com o esposo que está no púlpito e não com o que está dia a dia dentro de casa.  Uma família equilibrada será sempre um bom termômetro de uma vida abençoada por Deus.

6) Examine-se frequentemente.  Tenha em mente que uma vida emocionalmente doente não irá gerar uma espiritualidade saudável e vice-versa.  Pastores doentes irão produzir uma comunidade igualmente doente, fragilizada e contaminada por emoções que distorcem sermões e atitudes práticas no dia a dia pastoral.  Saiba que há sempre uma transferência emocional explosiva entre o púlpito e os bancos da Igreja, para o bem ou para o mal.  Sermões duros, cheios de cobrança e desprovidos da graça podem esconder emoções desequilibradas por parte de quem os pregam.

7) Humanize-se!  Tenha momentos de lazer em família, mas também individual.  Pratique esportes e lembre-se que biblicamente somos corpo, alma e espírito.  Não perca a oportunidades de cultivar hobbies e passeios que te desconecte em alguns momentos da realidade pesada do dia a dia e desperte em você uma certa puerilidade que lhe cure e humanize.

8) Cuidado com os extremos teológicos.  O tradicionalismo em excesso, a erudição e o conhecimento bíblico seco e obsessivo podem lhe tornar um cristão chato, insuportável, insensível, vaidoso, pesado e distante de pessoas comuns que podem ser verdadeiramente abençoadas com o “conhecimento de Deus”.  Seja reformado, mas, seja também pentecostal.  Não se iluda.  A frieza tradicional desumaniza tanto quanto o misticismo pentecostal.  Por outro lado, se pentecostal, não paute suas decisões emocionais em profecias, campanhas ou amuletos cristãos que no fundo só aumentam sua ansiedade e imaturidade.


Autor: Ismael Sobrinho, psiquiatra e estudante de teologia.